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O Governo distrital de Mocímboa da Praia e as forças de segurança do Ruanda receberam, no passado sábado, mais de 437 deslocados provenientes do campo de Quitunda, no distrito de Palma. Os deslocados fugiram das suas casas em 2019 após ataques de terroristas em Mocímboa da Praia, província de Cabo Delgado, no extremo norte de Moçambique.

A maioria da população local fugiu e juntou-se no campo de deslocados de Quitunda, no distrito de Palma, enquanto outros fugiram para diferentes locais de Cabo Delgado. Anica Mvita, mãe de cinco filhos, disse: “eu e meus filhos vivíamos em dificuldades no campo de deslocados, sem o mínimo para as nossas necessidades básicas, mas espero que a vida mude”.

O Administrador de Mocímboa da Praia, Sumaila Mussa, afirma que as autoridades vão continuar a fazer o possível para suprir as necessidades básicas da população, de modo que os refugiados possam começar uma nova vida. Mais de 2.630 pessoas já regressaram às suas casas na vila de Mocímboa da Praia e arredores, enquanto cerca de 3.000 se estabeleceram na aldeia de Awasse desde junho.

Em Julho de 2021, a pedido de Maputo, Kigali despachou tropas para Cabo Delgado para ajudar a combater os terroristas e estabilizar a área e restaurar a autoridade do Estado. Kigali enviou as suas forças para trabalhar em estreita colaboração com as Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), bem como com forças da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral, na luta contra o terrorismo em Cabo Delgado. 

Em Outubro de 2017, extremistas armados ligados ao Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL) começaram a lançar ataques em Cabo Delgado. Em Agosto de 2020, os terroristas tomaram Mocímboa da Praia, a principal vila portuária da província. Mais de 50 pessoas foram decapitadas pelos terroristas na província em Abril de 2020 e igual número em Novembro de 2020.

Em Setembro de 2020, os terroristas capturaram a Ilha Vamizi no Oceano Índico. Em 24 de Março do ano passado eles tomaram Palma, uma vila na costa nordeste da província de Cabo Delgado, assassinando dezenas de civis e deslocando mais de 35.000 dos 75.000 moradores da cidade.

 

Entretanto, cerca de duas semanas após o desembarque, as forças ruandesas e moçambicanas estavam destruindo gradualmente as principais bases dos terroristas. 

 

Em 8 de Agosto de 2021, as forças conjuntas capturaram Mocímboa da Praia, vila portuária que foi sede do grupo terrorista ligado ao Estado Islâmico, em Cabo Delgado, por quase cinco anos. A captura de Mocímboa da Praia foi um duro golpe para os terroristas que expulsaram cerca de 826.000 pessoas de suas casas e mataram mais de 2.000 na província.

 

Em Outubro de 2021, os comandantes militares ruandeses e moçambicanos, bem como os da Missão da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral em Moçambique (SAMIM), concordaram, entre outros pontos, em aumentar a partilha de inteligência na luta contra os terroristas. 

 

A situação geral em Cabo Delgado melhorou significativamente, com a reabertura das escolas em muitas áreas. Os terroristas foram desalojados de todas as suas fortalezas anteriores em áreas onde as forças ruandesas operam.

 

As aldeias ao longo das estradas principais de Palma a Mocímboa da Praia e Mueda foram libertadas, dando espaço para os locais regressarem e retomarem as suas vidas normais. De um modo geral, o Estado moçambicano recuperou o território perdido e começou a restabelecer a sua administração, dando assim esperança a toda a população.

 

No início de Agosto de 2021, as forças ruandesas e moçambicanas controlavam a base de Awasse, depois de repelir os terroristas. 

 

Antes da chegada das forças de segurança ruandesas, um número crescente de ataques terroristas foi relatado ao longo da rota N380 – que vai de Macomia a Palma, passando por Mocímboa da Praia – especialmente ao redor do entroncamento de Awasse.

 

A captura de Awasse e das bases dos terroristas abriu a estrada estratégica N380 que é fundamental para ligar o norte, bem como para o abastecimento logístico ao projecto de gás natural liquefeito na península de Afungi, no distrito de Palma. (Carta)

Fonte: Carta de Moçambique

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