A Amnistia Internacional não tem dúvidas: Vídeo mostrando assassinato de mulher nua é mais uma prova das violações dos direitos humanos pelas Forças de Defesa e Segurança de Moçambique. Eis o essencial da análise desta organização global de defesa dos direitos humanos:

 

“De acordo com a análise do Laboratório de Evidências de Crise da Amnistia Internacional, a mulher não identificada foi morta nas coordenadas ou perto das coordenadas -11.518419, 40.021284, no meio da Estrada R698, perto de uma subestação eléctrica, localizada do lado oeste de Awasse, em Cabo Delgado.

 

Ela tentava fugir para o norte ao longo da estrada quando foi abordada por homens que pareciam ser membros das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), que a seguiam. Depois de espancá-la com uma vara de madeira, ela foi morta a tiros e seu corpo nu foi deixado na estrada. Quatro homens armados atiraram nela 36 vezes, com uma variedade de rifles Kalashnikov e uma metralhadora tipo PKM.

 

Os soldados vestiam o uniforme da FADM. Um soldado tem o pergaminho amarelo e preto característico em seu ombro esquerdo. A maioria dos soldados está de uniforme completo, mas o artilheiro do PKM está veste uma camisa vermelha no lugar da camisa de camuflagem padrão.

 

Todos os soldados falam português e se referem à mulher como ‘Al-Shabaab’, grupo armado local acusado de causar instabilidade na região desde outubro de 2017. No início do vídeo, eles podem ser ouvidos dizendo: ‘Este é Al -Shabaab’, e no final dizem: ’Acabamos de matar o Al-Shabaab’. Uma fonte militar local, que falou com investigadores da Amnistia Internacional, forneceu uma justificação bizarra para o assassinato, alegando que a mulher tinha enfeitiçado o exército moçambicano e se recusou a mostrar-lhes o esconderijo dos insurgentes.

 

O vídeo apareceu pela primeira vez nas redes sociais em 14 de Setembro, mas foi compartilhado em particular em telefones celulares em 7 de Setembro, o dia em que provavelmente foi filmado, de acordo com fontes da Amnistia Internacional. Isso coincide com a “megaoperação” do Governo para retirar insurgentes de Awasse e Diaca, corroborando a presença de combatentes das FADM nas duas localidades naquele período”. (Carta)

Fonte: Carta de Moçambique

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