O governo moçambicano está a priorizar a reabertura das vias de acesso localizadas nas zonas libertadas em Cabo Delgado, para facilitar o processo de reconstrução das vilas e aldeias antes do regresso da população.

Depois da EN380, que liga os cinco distritos da zona norte da província, esta semana, foi reaberta a estrada Macomia-Mucojo, que estava interrompida desde 2019, em consequência do ciclone Kenneth, que arrastou vários aquedutos ao longo via, cuja reabilitação dependia do controlo da situação dos ataques terroristas.

“Esta era uma via que não estava transitável há cerca de três anos, o que significa que, praticamente, não existia estrada. Tivemos que mobilizar equipamentos pesados para remover arbustos que estavam no meio da estrada”, explicou Carlos Mesquita, ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos.

Depois de Macomia-Mucojo, o Governo prepara-se para reabrir a estrada que vai até a Quiterajo, que, igualmente, está intransitável há vários anos.

“Depois vamos estender para Quiterajo, que está a cerca de quarenta quilómetros de Mucojo, para devolver todo o aspecto económico necessário para facilitar o resto do processo”, prometeu Carlos Mesquita sem revelar os custos nem os prazos das obras.

Além de Macomia-Mucojo, Carlos Mesquita visitou a EN14, que liga a cidade de Pemba a Montepuez, onde, há cerca de um ano, decorrem obras de tapamento de buracos.

Neste momento, está a decorrer a manutenção periódica que compreende o tapamento de buracos e melhoramento de algumas secções, mas o Governo está a trabalhar no projecto executivo para ver o tipo de obra e quantificar, para depois mobilizar fundos para a sua reabilitação total, garantiu o ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, ao fim da sua visita à província de Cabo Delgado.

 

TERRORISMO DEIXA MUCOJO IRRECONHECÍVEL

Os ataques terroristas, em Cabo Delgado, deixaram o Posto Administrativo de Mucojo completamente destruído, abandonado e irreconhecível.

A maior parte das infra-estruturas que tinham sido recuperadas depois da passagem do ciclone Kenneth, em Abril de 2019, estão completamente destruídas e as poucas que resistiram estão a ser engolidas pelo capim.

Um centro de saúde, uma escola primária, um edifício da secretaria do posto administrativo, e várias casas – são algumas das infra-estruturas danificadas.

Quando os militares chegaram a Mucojo, hastearam a bandeira de Moçambique num mastro improvisado, para anunciar a presença do Estado em mais uma zona livre dos ataques terroristas.

Conforme apurou O’País, os últimos habitantes saíram de Mucojo em 2020, depois de sucessivos ataques terroristas. Só este ano, as Forças de Defesa de Moçambique e dos países da África Austral, conseguiram libertar a zona que foi encontrada em ruínas, abandonada e irreconhecível.

Apesar de ser considerada uma zona libertada, actualmente, em Mucojo, só é permitida a circulação das Forças Armadas de Moçambique e dos países da África Austral e a entrada de membros do Governo, empreiteiros, jornalistas e outros civis, mediante uma autorização oficial do Governo.

Fonte:O País

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