Na passada sexta-feira, a vila-sede do distrito de Macomia, província de Cabo Delgado, assinalou a passagem do primeiro ano após o ataque terrorista verificado a 28 de Maio de 2020, tendo causado milhares de deslocados, para além da destruição de diversas infra-estruturas públicas e privadas.

 

Entretanto, diferentemente das restantes vilas, Macomia voltou a ter sinais de vida, com o regresso de grande parte da população local, após as Forças de Defesa e Segurança (FDS) restabelecerem a “tranquilidade”.

 

Porém, nem o “calar” das armas naquela vila trouxe a paz e tranquilidade na vida dos cidadãos, que há um ano procuram respostas sobre como reerguer tudo o que tinham construído durante vários anos e que foi destruído em apenas três dias.

 

Macomia era um dos maiores centros comerciais da província de Cabo Delgado, porém, este estatuto ficou perdido devido aos ataques terroristas e a tomada da vila-sede do distrito de Mocímboa da Praia e consequente bloqueio da Estrada Nacional N380.

 

Alguns cidadãos que conversaram com a nossa reportagem sublinham ainda não haver qualquer serviço básico naquela vila-sede, com destaque para os serviços de saúde. Faque Chabane, de 38 anos de idade e pai de cinco filhos, aponta a falta, por exemplo, de uma maternidade e a ausência do Estado para prestar serviços de saúde. Afirma que os serviços actuais são assegurados pelos Médicos Sem Fronteiras.

 

“Temos de ir à Ancuabe, Metoro ou mesmo em Pemba, para fazer exames, caso haja necessidade de fazer qualquer exame recomendado pelos Médicos Sem Fronteira”, disse a fonte, sublinhando não haver dinheiro para arcar com as despesas, começando pelo transporte.

 

Já Fátima Arlindo, residente no bairro Napulubo, conta que a falta de um banco comercial dificulta a vida dela e da sua mãe, que é pensionista, pois, mensalmente deve deslocar-se às vilas de Ancuabe ou Chiúre para levar o dinheiro, o que diminui a capacidade de compra da família, devido aos custos de transporte.

 

Lembre-se que, durante o ataque terrorista, os insurgentes destruíram diversas casas, queimaram bancos, o Comando Distrital da PRM, o edifício do Governo Distrital e outras infra-estruturas públicas e privadas.

 

A organização humanitária Médicos Sem Fronteiras tinha suspendido as suas actividades, após a destruição do Centro de Saúde de Macomia, porém, terá retomado após garantir-se segurança. Neste momento, a organização presta cuidados primários de saúde.

 

O ensino retomou em algumas escolas, porém, o clima de insegurança continua a pairar no seio dos professores. Aliás, as ordens, em Macomia, é que as pessoas não circulem em locais distantes da vila. Tal como os outros distritos, Macomia também continua em alerta para um provável ataque terrorista. (Carta)

Fonte: Carta de Moçambique

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