A DETERMINAÇÃO pessoal do Presidente da República, Filipe Nyusi, em criar melhores condições de viagem aos moçambicanos, bem como incrementar os laços de irmandade, pesou significativamente para o alcance do acordo de eliminação do visto no passaporte ordinário com Angola.

Aliás, porque as relações entre os dois países estão cristalizadas, Angola elegeu Moçambique como o segundo país com quem assina o acordo de supressão de visto, isto depois da Namíbia. Passado longo tempo, isto devido ao processo político que atravessava, Angola decidiu abrir-se ainda mais ao mundo, celebrando o segundo acordo de eliminação de visto com o nosso país.  

Aqui, igualmente, deve-se ressalvar a intervenção do Presidente de Angola, João Lourenço, que conseguiu perceber a visão do Presidente Nyusi no sentido de se criarem facilidades aos viajantes e, como base nesse pressuposto, incrementar os nossos laços de amizade e cooperação, bem como as trocas comerciais.

É assim que, com a assinatura do acordo de eliminação do visto, os cidadãos dos dois países mostram-se regozijados com a decisão. Segundo o Ministro do Interior, Jaime Basílio Monteiro, que com o seu homólogo angolano, Ângelo Tavares, rubricou o documento, esse sentimento foi manifestado horas depois de selar o compromisso.

“O meu homólogo transmitiu-me a satisfação do povo angolano com o alcance deste acordo. Isto demonstra que as pessoas estavam à espera da remoção desta barreira para poderem circular à vontade. A nível da nossa comunidade em Angola, o sentimento é o mesmo. Assim, poderão efectuar viagens para o país, bem como receber visitas de familiares sem restrições. Igualmente, outros viajantes poderão fazê-lo sem grandes entraves, uma vez que as facilidades estão criadas”, explicou o ministro.  

Ao que ajuntou, o nosso país elegeu o turismo como uma das áreas que deve contribuir significativamente para a economia nacional. Perante um instrumento como este, ao que observou Basílio Monteiro, é de esperar que muitos cidadãos angolanos demandem o nosso país.

“Igualmente, as trocas comerciais vão fluir. Acreditamos que os 30 dias concedidos no país hospedeiro são razoáveis para cuidar das actividades agendadas. Por isso, estamos muito encorajados com a reacção das populações perante este resultado. Governar é resolver os problemas do povo, e este é um exemplo dado pelo nosso Presidente da República”, apontou o ministro do Interior.

Ganhamos tempo e recursos 

SANTOS Álvaro, Embaixador de Moçambique em Angola, é o espelho da satisfação dos moçambicanos naquele país da lusofonia pela eliminação do visto no passaporte ordinário. Falando em nome dos compatriotas naquele país, o diplomata disse que o procedimento vai facilitar a vida de muitos moçambicanos nas suas deslocações.   

“A transportadora aérea angolana tem três voos semanais para Moçambique e havia situações em que era preciso levar muitos dias e perder tempo e recursos à espera de visto. Com a sua eliminação, o movimento será acelerado e as viagens para os dois países serão feitas sem qualquer impedimento. Particularmente para os nossos concidadãos, esta é uma ponte que se construiu e vai rapidamente evoluir naquilo que são as pretensões das pessoas de fazerem viagens regulares e sem barreiras”, explicou Santos Álvaro.  

Moçambicanos conquistam espaço 

O EMBAIXADOR Santos Álvaro classifica os compatriotas radicados naquele país de dinâmicos, profissionais e qualificados, isto porque estão a dar valioso contributo não só em Angola, mas também no solo pátrio.

Segundo ele, os moçambicanos estão a contribuir imenso para o desenvolvimento da terra mãe, ao investirem no país o dinheiro que ganham do seu trabalho. Ao que explicou, muitos moçambicanos trabalham em bancos comerciais, agências internacionais e outras empresas de renome.

“Estamos a falar de uma comunidade activa e organizada. Regularmente, os concidadãos encontram-se para celebrar datas festivas, sobretudo a data dos Heróis Nacionais e a Independência Nacional do nosso país. Estão a par dos acontecimentos políticos e sociais do país, e nós, como Embaixada, temos estado sempre a actualizá-los sobre outros assuntos da actualidade. É nesses encontros que temos encorajado a eles para que com as suas propinas invistam no nosso país”, explicou o embaixador.

Vantagens do acordo

AS economias dos dois países enfrentam desafios decorrentes da crise mundial. Por isso, nos últimos dois anos a economia angolana perdeu pujança, daí que, segundo o embaixador moçambicano, o nosso país pode tirar grandes vantagens em algumas áreas como o turismo.

“Devido aos problemas resultantes da crise, grande parte dos investimentos pode ser orientado para o nosso país. É aqui onde a intenção de visto tem grande peso. Turismo e trocas comerciais são pontos fortes a serem explorados, razão pela qual temos estado a trabalhar com o empresariado para investir no nosso país”, disse.

Para ele, dadas as facilidades que o Governo tem estado a criar para os investidores, o empresariado pode identificar novas oportunidades de negócio e, sobretudo, explorar as novas áreas turísticas.  

As relações entre Moçambique e Angola sustentam-se no acordo de cooperação em matéria de Segurança e Ordem Interna, assinado em Luanda a 13 de Novembro de 2003, assim como no protocolo adicional de cooperação no domínio policial, datado de 2008 e assinado pelos Comandos-Gerais da Polícia dos dois países.  

Durante a visita do Ministro do Interior, Jaime Basílio Monteiro, as partes passaram em revista o estado da cooperação no domínio de sua competência específica, tendo concluído que a mesma é “excelente e profícua”.

Em Angola, o governante moçambicano visitou o Centro Integrado de Segurança Pública, estrutura criada com o objectivo de interligar os diferentes órgãos do sistema de segurança e protecção civil, com recurso à tecnologia de última geração.

Escalou ainda o Comando Municipal de Talatona, órgão afecto ao Comando Provincial da Polícia de Luanda e outras instituições ligadas ao Ministério do Interior de Angola, onde ficou assente a necessidade de fortalecer cada vez mais a cooperação bilateral para fazer face aos desafios que se impõem no actual contexto de segurança pública.

Fonte:http://www.jornalnoticias.co.mz/index.php/politica/73555-supressao-do-visto-entre-mocambique-e-angola-determinacao-de-filipe-nyusi-fortalece-lacos-de-irmandade.html

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