Ontem, o Tribunal ouviu o proprietário de um dos apartamentos comprados pelo réu Elias Moiane a mando da sua tia, a co-ré Inês Moiane. Elónio Muiane desmente fazer parte de um esquema de lavagem de dinheiro de subornos pagos à então secretária do Presidente da República.

Consta dos autos que, depois de receber cerca de um milhão de dólares da Privinvest, Inês Moiane decidiu comprar três apartamentos. À frente dos processos de compra, colocou o seu sobrinho, Elias Moiane, justificando a falta de tempo.

Elias Moiane abraçou a missão e cruzou caminho com Elónio Muiane, que vendeu um dos apartamentos, no valor de 14 milhões de meticais, pagos em duas prestações – uma de seis e outra de oito milhões de meticais.

“Fomos juntos ao notariado. Quem liderou tudo foi ele, porque eu não entendo bem os processos”, disse.

A venda aconteceu em 2013 e, na altura dos factos, o declarante diz que tinha muitas preocupações, pelo que não procurou saber da origem do dinheiro.

“Eu queria vender a casa e ele pagou por ela, então não me preocupei com a origem do dinheiro. Recebi uma chamada do banco a questionar a origem do valor e eu expliquei que era da venda de um imóvel. O que eu achei é que teria sido a mãe a pagar, como ele (Elias Moane) garantiu”, explicou.

Elónio Muiane nega fazer parte do esquema de lavagem de dinheiro de Inês Moiane e acrescenta que sempre considerou Elias Moiane, com quem negociou, uma pessoa idónea, até porque foi apresentado por pessoas da sua confiança.

“De facto nunca desconfiei”, disse.

Depois de vender o imóvel, em 2013, o declarante diz que nunca mais se encontrou com Elias Moiane, pelo menos até 2018, quando foi chamado pela Procuradoria-Geral da República para prestar esclarecimentos em volta do “caso dívidas ocultas”.

Fonte:O País

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