O ganense Michel Maaman Larya, ex-esposo da antiga Presidente do Conselho de Administração do Fundo de Desenvolvimento Agrário (FDA), compareceu, na terça-feira (19), ao Tribunal Judicial da Cidade de Maputo (TJCM) e alegou que não sabia que a viatura luxuosa com que foi obsequiado pela ré Setina Titosse tinha sido adquirida com dinheiro do erário e nunca procurou saber dela a origem da verba. Para ele receber o carro, a mulher – à data dos factos – precisou derramar lágrimas como forma de convencê-lo a receber o meio circulante.

De 51 anos de idade, Michel Larya confirmou que recebeu um carro de marca Mazda, modelo BT-50, adquirida a um preço de 1.360.000 meticais na Ronil Auto, na capital moçambicana, pela sua ex-cônjuge, mas esta não lhe esclareceu as circunstâncias em que obteve o dinheiro através do qual manifestou tal gesto de bem-querer.

O acusado contou que foi contactada telefonicamente por um funcionário daquela agências informando que devia levantar um presente. Chegado ao local, tratava-se de uma viatura suntuosa e levou quatro dias a digerir a oferta.

Ele alegou que rejeitou o presente, mas depois aceitou porque a ofertante chorou por sentir humilhada, uma vez que nunca antes um homem tinha recusado um presente seu.

A co-arguida Setina Titosse é acusada de cometimento de pelo menos 80 crimes no processo – ora em julgamento – sobre o desvio de 170 milhões de meticais do FDA, recorrendo a estratagemas que consistiam em forjar contratos para concessão de créditos.

Segundo o ganense, a sua antiga consorte não comentou, também, porque motivo decidira lhe presentear com uma viatura pomposa. “Foi uma surpresa que eu não estava à espera”, disse o réu, respondendo a uma questão do juiz Alexandre Samuel.

Num outro desenvolvimento, Michel Larya explicou ao tribunal que usou o carro em questão de Maio de 2014 a Fevereiro de 2016, altura em que vendeu-o a 1.300.000 meticais – pagos em dólares norte-americanos (26 mil USD) – a uma senhora de nome Rossana.

De acordo com ele, desfez-se do meio circulante porque a sua mãe encontrava doente e hospitalizada. Precisava de dinheiro para custear as despesas hospitalares. Infelizmente, a paciente perdeu a vida a 02 de Outubro de 2016.

Michel disse que tomou conhecimento de que a viatura com que Setina lhe presentou foi comprada ilicitamente com dinheiro do Estado em Outubro de 2016, quando o Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC) o investigou.

Entretanto, antes de ele ser alvo de processo-crime manifestou vontade, por duas ocasiões, de devolver o carro (agora confiscado pelas autoridades) à Setina, mas esta recusou alegando que a oferta era irreversível, até porque o meio circulante tinha sido registado em nome de Michel.

@Verdade – Democracia

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