Oradores da feira Mozgrow defenderam, hoje, que o país deve apostar na agricultura baseada na ciência e nas tecnologias. Outro desafio apresentado é a formação de pequenos agricultores, com vista a transformar o sector produtivo e tornar o agro-negócio mais competitivo.

Com as atenções viradas para a “transformação e competitividade do agro-negócio”, discutiram-se os principais desafios que Moçambique enfrenta no sector produtivo.

Para a Bayer, multinacional que presta assistência na área agrícola, a agricultura deve ser baseada na ciência e nas tecnologias, como resposta aos mais recentes desafios do ramo de agro-negócio em Moçambique, e estimular o desenvolvimento local.

“Eu acredito que a agricultura é, sem dúvidas, a base para o desenvolvimento do país. Nós não temos uma agricultura baseada na ciência e nas tecnologias, o que constitui o maior problema. Dedicamos a maior parte das nossas energias a trabalhar na agricultura, mas não incorporamos insumos baseados na ciência nem nas tecnologias modernas”, avançou Norberto Mahalambe, country manager da Bayer Moçambique.

Atendendo que 90% da produção, no país, vem dos pequenos produtores, a Socodevi defende a capacitação deste grupo, por via de cooperativas, como solução para o problema da produtividade.

“O exemplo mais clássico que existe é a semente usada, hoje em dia, na agricultura. Os nossos produtores não sabem diferenciar semente de grão. Ir ao mercado Xipamanine ou Fajardo, comprar grão e semear não é vantajoso como pensam. Há necessidade de formar este grupo, por isso a Socodevi acredita na capacitação dos produtores em relação ao uso das sementes”, referiu Rui Vasco, director das Operações da Socodevi Moçambique.

A ideia de uma formação é, igualmente, sustentada pela Agra. Para a organização, é exemplo disso o facto de os produtores optarem pelo grão em vez de sementes. Entretanto, segundo Paulo Mole, uma lei específica solucionaria o problema.

“É importante que haja a lei que possibilite maior investimento nesta indústria de sementes, o que se aplica, também, aos fertilizantes. O país não tem uma lei, apenas tem regulamentos acerca disso. Esta situação inibe investimentos e, consequentemente, a capacidade de produzir, suficientemente, sementes para o país, o que dá espaço para que o grão circule no lugar da semente”, alertou Paulo Mole, country manager da AGRA Moçambique.

Da AQI, Rui Brandão afirmou que o país deve substituir a importação de produtos pela produção local, com vista a transformar o mercado nacional e, posteriormente, desenvolver o país.

“Normalmente, a razão principal é a ausência de mercado e a não disponibilidade de insumos nas zonas rurais. Se eu fosse o ministro da Agricultura, começaria por substituir o processo de importações pela produção local”, propôs Rui Brandão, director-executivo da AQI.

Moçambique é um país agrícola e possui, aproximadamente, 36 milhões de hectares de terra arável. A maior parte deste espaço é explorada pelo sector familiar.

Fonte:O País

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