ONU espera que governo da Guiné-Conacri seja formado em "prazo razoável"

A ONU espera que novo governo seja formado dentro de um prazo “razoável” na Guiné-Conacri, alertando que os guineenses devem decidir o tempo da transição após o golpe de Estado, disse o representante especial de António Guterres.

Annadif Khatir Mahamat Saleh, representante especial da ONU para a África Ocidental e Sahel, explicou que as Nações Unidas não têm exigências quanto à duração da transição de governo no país, depois do golpe de Estado militar que derrubou o presidente Alpha Condé em 05 de Setembro.
“Não, a duração […] será aquele que os guineenses decidirem. Até agora dissemos: queremos uma duração razoável, mas uma duração razoável depende dos guineenses”, disse Annadif Khatir Mahamat Saleh, durante uma visita a Conacri, dedicada à crise naquele país africano.
As Nações Unidas condenaram o golpe de Estado e exigiram a libertação de Condé, lembrou, indicando que o organismo também “manifestou a intenção de acompanhar a Guiné para sair da crise”.
Sem abordar o teor da conversa com Alpha Condé, Annadif Khatir Mahamat Saleh disse que o Presidente deposto “está bem”.
Annadif Khatir Mahamat Saleh esteve ainda com o tenente-coronel, Mamady Doumbouya, líder das forças especiais de elite do exército guineense, líderes partidários e diplomatas.
A visita do representante das Nações Unidas surgiu na véspera da abertura de uma consulta pública para preparar a transição e a formação do novo governo.
Questionado sobre possíveis pormenores que Mamady Doumbouya poderia ter dado sobre o conteúdo e prazo para a transição, Annadif Khatir Mahamat Saleh respondeu que não entraram em detalhes.
O representante de António Guterres para a África Ocidental e Sahel expressou ainda preocupação com sucessão de golpes militares em África, em cerca de um ano, desde o Mali, Chade e Guiné-Conacri.
“É um fenómeno preocupante, que pode ser interpretado por um recuo democrático, e os africanos — os líderes africanos — são questionados para perceber o que faz com que haja este surto de golpes de Estado. Esta é a pergunta que deve ser feita a todos os parceiros de África e a todos os africanos”, referiu.
No passado dia 05, uma junta militar liderada pelo coronel Mamadi Doumbouya derrubou o presidente Alpha Condé, de 83 anos, que se mantém detido desde então, dissolveu o parlamento e os poderes civis eleitos, tendo ainda suspendido a Constituição. (RM/NMinuto)

Fonte:Rádio Moçambique Online

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