Poucos dias depois da descoberta, na vizinha África do Sul, da nova variante da Covid-19, designada Ómicron, a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) chamou a imprensa para condenar e apontar impactos severos à economia, da atitude dos países do ocidente e não só.

 

Para a CTA, esta atitude sugere uma desarticulação e falta de união na luta contra esta enfermidade, que vem assolando a economia mundial desde 2020 e que tem afectado de forma severa a vida social e económica dos países, sobretudo, em economias em desenvolvimento, como Moçambique.

 

No concreto, a CTA aponta o banimento de voos de sete países da região da África Austral, com destaque para Moçambique, pelo Brasil, Estados Unidos da América, Canadá, Japão, Reino Unido, União Europeia, bem como por alguns países africanos, com destaque para Angola, Seychelles e Ruanda. Em conferência de imprensa concedida esta quarta-feira, o Presidente da Comissão do Sector Privado para Covid-19 na CTA, Nuno Quelhas, afirmou que as restrições impostas por estes países terão impactos económicos significativos.

 

No caso particular de Moçambique, Quelhas disse que a situação poderá afectar o processo de recuperação do sector de hotelaria e turismo, que se encontra no seu período de alta, face ao cancelamento de reservas e adiamento de viagens de turistas e homens de negócios para o país. Igualmente, o empresário apontou que as restrições poderão contribuir para a retracção dos investimentos e contracção do fluxo da actividade económica no país, numa altura em que a economia busca caminhos para recuperação e estabelecimento de bases para retoma integral da actividade económica.

 

“O fluxo de viagens, tanto de turismo assim como de negócios, estava a registar uma clara recuperação até ao terceiro trimestre de 2021, em que cresceu 14% comparativamente ao mesmo período de 2020, havendo sinais claros de que 2021 iria superar o fluxo de viagens de 2020 que se tinha saldado em 180 milhões de USD. Contudo, com esta situação, o cenário poderá ser contrariado, prevendo-se que o fluxo de viagens possa fixar-se abaixo dos 180 milhões de USD, se estas medidas de banimento se mantiverem por longo período”, afirmou Quelhas.

 

Medidas para fazer face à nova variante

 

Para além de condenar e apontar os impactos da atitude discriminatória do ocidente e não só, a CTA apresentou algumas medidas que os associados e o Governo podem tomar para atenuar o impacto da pandemia. O destaque vai para a “aposta no reforço do processo de vacinação contra a Covid-19”, visto que se verifica menor adesão por parte da população, estando neste momento vacinadas no país cerca de 5 milhões de pessoas, o correspondente a 17% da população total e cerca de 29% da meta para o alcance da imunidade de grupo.

 

O sector privado defende ainda “a manutenção do quadro actual da medida”, à semelhança da postura adoptada pela África do Sul, maior parceiro comercial do país, que anunciou recentemente que, a curto prazo, não irá alterar o quadro de restrições. Neste contexto, a CTA recomenda que o Governo de Moçambique siga a mesma abordagem, visto que a situação pandêmica continua estável no país e, conforme referiu a Organização Mundial da Saúde, ainda não há certezas sobre a real natureza desta nova variante.

 

Por fim, a CTA faz um apelo para “o levantamento das restrições a nível da região da África Austral”. “Ainda que sem dados que o fundamentem, a região emergiu como o epicentro da nova variante, pelo que defendemos que o Governo de Moçambique interceda junto dos países da região e do Secretariado da SADC para a necessidade do levantamento ou racionalização das restrições de circulação, tanto a nível da África, assim como a nível da União Europeia e outros países”, defendeu o Presidente da Comissão do Sector Privado para Covid-19 na CTA. (Evaristo Chilingue)

Fonte: Carta de Moçambique

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