O Presidente da República, FIlipe Nyusi, diz que é preciso olhar para relatórios que apontam realizações positivas dos seus 10 anos de governação, e não apenas os recentes relatórios do Instituto Nacional de Estatísticas e a Estratégia Nacional de Desenvolvimento, que mostram a degradação da situação económica dos moçambicanos nos 10 anos da sua governação.

A pouco menos de seis meses para o fim do segundo mandato de Filipe Nyusi, enquanto Presidente da República, começa a surgir a necessidade de realização de uma espécie de balanço dos 10 anos de Governação.

Quando questionado sobre como vai deixar a Presidência da República, Nyusi respondeu: “Vou deixar o escritório, e deixo-o com muito orgulho. Aquilo que eu não fiz, foi porque não consegui fazer. Se me perguntarem o que eu fiz, o que eu fiz é aquilo que eu não fiz.”

Mas foi respondendo a uma pergunta sobre o impacto dos memorandos de entendimento, assinados durante a visita do presidente do Botswana em Moçambique, que Nyusi comentou sobre os dados que têm sido divulgados, nos últimos meses, pelo Instituto Nacional de Estatísticas, que avaliam a situação social e económica dos moçambicanos em diferentes dimensões. Primeiro, foi o Inquérito sobre Orçamento Familiar, que mostrou a degradação do poder de compra das famílias e do poder de realizar investimentos.

Mais recentemente, foi o Inquérito Demográfico e de Saúde, que aponta para o aprofundamento das desigualdades sociais, principalmente nas zonas rurais. Houve, igualmente, a Estratégia Nacional de Desenvolvimento 2025–2044 aprovada pelo Conselho de Ministros e submetida à Assembleia da República, que mostra que, em 10 anos, que coincidem com a Governação de Filipe Nyusi, o número de pobres em Moçambique subiu para quase 19 milhões de pessoas, ou seja, cerca de 62.8% dos mais de 33 milhões de moçambicanos.

O jornal O País confrontou o Presidente da República com estes dados para saber o que terá acontecido para falhar o que prometeu aos moçambicanos: melhorar as suas condições de vida.

Filipe Nyusi não gostou dos dados e imediatamente mandou o repórter ler “também relatórios positivos, vai ajudar a pensar. Primeiro, qual é o medidor usado para se chegar à conclusão que está a dizer? Quantos hospitais tinham? Eu nasci, por exemplo, lá no Norte, mas fiz o meu ensino médio no Centro, porque na minha terra não tinha o ensino médio. Agora, nenhuma criança sai de um único distrito para ir fazer escola secundária. Quantos hospitais existem?”, questionou o chefe de Estado.

Nyusi disse mais: “A pobreza é relativa em função do tempo. Qual era a população de Moçambique no passado? E se tivéssemos mantido aquele número de população com tantos furos de água que fizemos, se calhar não haveria pessoas para consumir toda a água.”

De acordo com o chefe de Estado, a pobreza que se “pode” estar a registar no país poderá ser combatida através dos acordos assinados, nas diversas áreas, nesta quarta-feira, entre os Governo de Moçambique e do Botswana.

Fonte:O País

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