AS autoridades sanitárias em Moçambique admitiram ontem a possibilidade de a nova variante da Covid-19 estar a circular no país, não obstante o resultado negativo do primeiro lote dos exames efectuados em laboratórios de referência na vizinha África do Sul.

O director de Inquéritos do Instituto Nacional de Saúde (INS), Sérgio Chicumbe explicou, em conferencia de imprensa, que dada a proximidade de Moçambique à África do Sul, país com casos de nova estirpe da Covid-19, o país está a intensificar a vigilância das mutações do vírus que causa a doença.

Nos últimos tempos,o INS tem estado a seleccionar, aleatoriamente, amostras do novo coronavírus e enviá-las para análises em laboratórios de referência na África do Sul para apurar se elascontêm a informação genética da nova estirpe, detectada no Reino Unido e no país vizinho.

“É uma hipótese razoável e é uma cautela nós (Saúde) pensarmos que seja possível que já esteja em circulação a nova variante no nosso país. É próprio de saúde pública assumir que o risco seja maior para podermos mitigar. Portanto, não está confirmado que está em circulação, mas nós assumimos a possibilidade”, esclareceu Chicumbe, reiterando que o resultado das amostras do primeiro lote foinegativo, esperando-se pelos próximos lotes.

Os dados partilhados durante a conferência semanal de actualização da evolução da Covid-19 no país e no mundo mostram ainda um aumento de hospitalizações devido àdoença, o que coloca a capacidade de internamento numa situação limitada, sobretudo na cidade de Maputo,onde se regista o maior número de hospitalizações e óbitos.

A directora nacional adjunta de Saúde Pública no Ministério da Saúde (MISAU), Benigna Matsinhe, anotou que actualmente a cidade de Maputo tem capacidade de internamento nos centros públicos e privados de 223 camas, das quais107 estão ocupadas. O centro de tratamento da Polana-Caniço tem apenas 47 leitos disponíveis, dos 120 instalados.

“A grande preocupação é, sobretudo, nos pacientes que precisam de oxigénio e ventilação. Aí, poderemos ter alguma dificuldade. Felizmente, até aqui tanto para a oxigenoterapia como para os ventiladores ainda temos capacidade de atendimento dos pacientes”, disse Matsinhe, reforçando que o sector está a estudar a possibilidade de aumentar mais 50 leitos hospitalares.

Os dados apresentados indicam que o país internou nas últimas 24 horas mais 29 pessoas padecendo da Covid-19, elevando para 997 o cumulativo de hospitalizações. Destas, 127 continuam internadas nos centros de tratamento, das quais 84.3 por cento na cidade de Maputo. Ainda ontem, Benigna Matsinhe anunciou a morte de cinco pessoas vítimas da Covid-19 na cidade de Maputo, das quais três do sexo feminino de 21, 30 e 51 anos de idade,e duas do sexo masculino de 54 e 62 anos. Dos óbitos, três foram declarados ontem e dois no domingo. Com estes dados, o país tem um cumulativo de 197 óbitos.

No mesmo dia, 395 pessoas testaram positivo para o SARS-CoV-2, o que eleva para 22.334 o cumulativo de contaminados pelo vírus no território nacional. Seis são menores de cinco anos e 24 têm idade acima de 65 anos. Afaixa etária dos 25 aos 34 registou 106 casos, o que corresponde a 26.8 por cento do total de casos declarados ontem.

A Saúde informouainda que 88 pessoas foram declaradas recuperadas da infecção pelo novo coronavírus, sendo 61 em Nampula, 17 na província de Gaza e 10 na Zambézia. Assim, o país conta com 17.623 recuperados e 4510 casos activos.

Fonte:Jornal Notícias

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