A MORTE do presidente do Conselho Municipal da cidade da Beira e do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Daviz Simango, ocorrida ontem, aos 57 anos, numa da unidade sanitária da África do Sul, deixa um vazio que afecta todo o país, que, segundo diversas vozes, perdeu um importante activista pela democracia.

Diversas individualidades manifestaram o seu pesar e solidariedade pelo desaparecimento físico do político que também era membro do Conselho de Estado.

Soube estar na política

O ANTIGO Presidente da República, Armando Guebuza, considera que Daviz Simango “soube estar na política e, por essa via, contribuiu para o fortalecimento da democracia moçambicana”.

“À sua família, à cidade da Beira, todos os militantes e simpatizantes do MDM, endereçamos as mais sentidas condolências”, diz Guebuza, na sua mensagem.

Participou na consolidação da democracia

PARA o secretário-geral da Frelimo, Roque Silva, o presidente do MDM desempenhou um papel profundo na consolidação da democracia, através da sua participação directa em vários processos que concorreram para a consolidação da paz.

Roque Silva disse, igualmente, que a contribuição de Daviz Simango foi notória na liderança do município da Beira e também como membro do Conselho de Estado.

“Neste momento de dor e consternação quero, em nome da direcção do partido, em nome dos membros e militantes da Frelimo endereçar a nossa solidariedade à família MDM e Simango, na esperança de que no meio desse choro e desgraça encontrem espaço para recuperar a energia e continuar a enfrentar os desafios que a vida coloca”, disse Roque Silva.

Referiu que o desaparecimento físico de Daviz Simango não é somente perda da família Simango, partido MDM, mas também dos moçambicanos, por ter deixado de “existir um dos dirigentes destacados na arena política nacional”.

O secretário-geral da Frelimo disse acreditar que este partido vai saber se organizar para dar continuidade aos projectos iniciados, pois se perdeu um líder e não a democracia.

Grande perda

O SECRETÁRIO-GERAL da Renamo, André Magibiri, disse que a morte de Daviz Simango representa uma grande perda para o país, porque “o seu trabalho ultrapassava o fórum partidário e tinha alcançado uma dimensão de Estado”.

Recordou que foi membro da Renamo, partido pelo qual concorreu e ganhou as eleições municipais de 2003, dirigiu com sabedoria a autarquia e conseguiu colmatar o problema de fecalismo a céu aberto naquela cidade.

“Fez um trabalho excelente para resolver aquele problema que afectava a população da Beira”, disse Magibiri.

Morreu um servidor único

PARA a Associação Nacional dos Municípios de Moçambique (ANAMM), Daviz Simango era um “servidor único” que muito fez para a cidade da Beira e os munícipes precisam de continuar a batalhar pelo desenvolvimento social e económico.

Falando à Televisão de Moçambique(TVM), o presidente da ANAMM, Calisto Cossa, disse que uma das formas de honrar Daviz Simango é continuar a batalha e encarar o futuro com esperança. 

Disse ainda que este é o segundo autarca moçambicano a perder a vida este ano, depois da morte, em Janeiro, da presidente do município de Chókwè, Lídia Cossa.

Uma equipa da ANAM deve deslocar-se hoje à cidade da Beira para, em coordenação com o município, partido e a família agilizar a transladação do corpo e depois serão anunciados os passos subsequentes para o funeral.

Simango foi defensor da governação democrática

Também o enviado pessoal do Secretário-Geral das Nações Unidas para Moçambique e presidente do Grupo de Contacto Mirko Manzoni lamentou a morte do líder do MDM, “um fervoroso defensor da governação democrática, dedicando a sua vida ao serviço público”.

“O presidente do Conselho Municipal da Beira, desde 2003, promoveu o desenvolvimento sustentável e liderou os esforços de reconstrução após a devastação provocada pelos ciclones Idai e Eloise. Como membro-fundador do partido MDM, em 2009 contribuiu para o alargamento do espaço democrático no país”, disse Manzoni, acrescentando que Simango mostrou-se um defensor firme do processo de paz.

Segundo o enviado de António Guterres, durante as negociações, reuniu-se regularmente com os líderes do Governo e da Renamo e encorajou o diálogo inclusivo como via para se alcançar uma paz efectivae assistiu às cerimónias de assinatura,em Agosto de 2019,e incentivou a plena implementação dos acordos de paz.

“Sentiremos a falta da sua liderança, da sua compaixão e da sua energia incansável.Apresentamos as nossas sinceras condolências à sua família, membros do seu partido, amigos e a todos os moçambicanos durante este difícil período”, disse.

Homem aberto e carismático

O EMBAIXADOR da União Europeia em Moçambique, António Sánchez-Benedito Gaspar, manifestou sentimento de pesar pelo falecimento de Daviz Simango, a quem considerou de “homem com compromisso político, aberto e com carisma”.

“Foi com muita tristeza que tomei conhecimento do falecimento, hoje (ontem), de Daviz Mbepo Simango, vítima de doença, na África do Sul. Pelo homem que foi na sociedade, pelo seu compromisso político, abertura e carisma, fico particularmente emocionado com esta trágica notícia”, disse Gaspar.

Comprometido com a causa

Em mensagem de condolência, a Alta Comissária Britânica em Moçambique, NneNne Iwuji, manifesta profunda tristeza pelo falecimento de Daviz Simango, que disse se tratar de “um homem íntegro, comprometido com a sua causa, que dedicou a sua vida e carreira à cidade da Beira, gémea da cidade de Bristol, no Reino Unido, bem como aos munícipes e sempre com ideias inovadoras”.

“Eu tive a oportunidade de interagir com ele sempre que me desloquei à cidade da Beira. As minhas condolências à família, ao partido MDM e aos munícipes”, disse NneNne Iwuji.

Cidadão de amplas visões

O ARCEBISPO da Beira, Cláudio Dalla Zuanna, considerou Daviz Simango como homem que deixa um exemplo de cidadãode amplas visõese comprometido com o bem-estar da sociedade.

Numa mensagem de condolências, disse que eleera capaz de manifestar a sua proximidade a qualquer munícipe, sem distinção de estado social ou de cor partidária, demonstrando interesse pelas preocupaçõesdos citadinos.

“O Engenheiro Daviz Simango notabilizou-se na melhoria das condições de vida da nossa urbe pelo seu trabalho incansável mas, sobretudo, foi uma pessoa que amava a cidade e se envolvia na procura de soluções aos tantos desafios que a cidade tem”, disse e acrescenta que a fé comum em Jesus Cristo,que venceu a morte, seja fonte de consolaçãoe de coragem para a continuidade da sua obra.

Disse que, tendo tomado conhecimento da precaridade das suas condições de saúde, a arquidiocese manifestou ao próprioa sua fraterna solidariedade e garantiu-lhe as orações para rápidas melhoras.

“Neste momento em que a doença venceu, quero em meu nome pessoal e da arquidiocese da Beira apresentar à família os nossos sentimentos de pesar e proximidade”, disse Zuanna, ao mesmo tempo que estende a solidariedade aos funcionários do município e a todos aqueles que choram pela partida de um amigo e de um servidor da coisa pública.

Fonte:Jornal Notícias

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