As províncias de Tete e cidade de Maputo já arrancaram com os testes abrangentes para a COVID-19 para indivíduos sintomáticos. É uma medida que tem como objectivo identificar maior número de casos positivos da doença e quebrar as cadeias de transmissão.

Trata-se de uma iniciativa cuja fase-piloto começou na província de Tete e deverá abranger todo o país. O objectivo do MISAU é garantir a testagem da maior parte das pessoas que apresentem algum sintoma relacionado à COVID-19.

Numa primeira fase, os referidos testes rápidos serão feitos nas unidades sanitárias dos distritos, até que cheguem às comunidades, através de agentes polivalentes de saúde.

“Esse teste, que está a ser usado, detecta proteínas do vírus e pode ser usado a nível das unidades sanitárias e também a nível das comunidades. Ele não precisa de passar de um laboratório, isso quer dizer que é um teste diferente do PCR, que precisa de toda a infraestrutura laboratorial e de pessoal altamente treinado”, explicou Sofia Viegas, directora nacional dos Laboratórios de Saúde Pública, no Instituto Nacional de Saúde,

Segundo a directora, “neste momento, além da província de Tete, este processo já iniciou na cidade de Maputo, em algumas unidades sanitárias, em dois distritos. Para a próxima semana (referindo-se a esta), serão abrangidos outros dois distritos nesta cidade. A província de Maputo está na fase de treinamento do pessoal para que a iniciativa chegue aos distritos; as províncias de Gaza e Inhambane também estão nesse processo”, salientou.

Neste momento, o país conta com um pouco mais de milhão de testes rápidos e tenciona adquirir mais. A directora dos laboratórios descreveu o que se pretende com a testagem.

“O objectivo principal não é apenas efectuar a testagem. O principal objectivo é o de identificar os casos positivos para o seu isolamento, e consequente rastreio de contactos. O doente isolado não terá como transmitir o vírus a outras pessoas e, deste modo, iremos quebrar as cadeias de transmissão. Qualquer paciente com sinais de gravidade poderá dirigir-se à unidade sanitária para ser testado. Sabemos que uma percentagem pequena desses indivíduos que testarem positivo irão precisar de internamento ou tratamento hospitalar, mas o grosso deles deverá cumprir o isolamento domiciliar e ficar bem”, confiou.

Sofia Viegas disse que decorre a formação do pessoal que será responsável por transmitir conhecimento até ao nível comunitário. O INS garante, ainda, que os referidos testes são confiáveis e acessíveis.

“O que verificámos, na fase-piloto, na província de Tete, é que, utilizando o teste apenas para indivíduos sintomáticos, a sua taxa de positividade era muito similar à taxa de positividade do PCR. Isso permite que tenhamos alguma confiança na utilização desses testes. É verdade que não são iguais ao PCR, mas têm inúmeras vantagens. Ele permite que tenhamos o resultado em apenas 15 minutos, tem custos muito reduzidos. O custo deste teste varia de 5 a 15 dólares, dependendo do local de venda, mas, a nível do Serviço Nacional de Saúde, é adquirido a um preço subsidiado de 3 a 5 dólares”, concluiu.

Com os testes massivos, só serão submetidos à testagem PCR aqueles pacientes que apresentarem sinais de doença grave ou sintomas muito característicos da COVID-19, como a perda de olfato ou do paladar.

Fonte:O País

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