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Está aceso o debate sobre a possibilidade de Moçambique importar combustíveis russos, com vista a minimizar os impactos causados pelo elevado preço do barril do petróleo no mercado internacional, numa altura em que os produtos petrolíferos russos encontram-se sancionados pelos Estados Unidos da América, devido a sua invasão à Ucrânia.

 

Depois dos antigos governantes, Luísa Diogo e Tomaz Salomão, terem deixado claras as suas opiniões em torno da oferta russa, agora é a vez do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), o terceiro maior partido da oposição, marcar a sua posição.

 

Enquanto Luísa Diogo e Tomaz Salomão entendem que o país é livre para escolher a melhor alternativa para a aquisição de combustíveis, o MDM diz não estar a favor desta opção porque visa criar especulação à economia nacional e eliminar o princípio da transparência do mercado internacional.

 

Em conferência de imprensa concedida na tarde desta quarta-feira para reagir ao anúncio do Pacote de Medidas de Estímulo à Economia, Ismael Nhacucue, porta-voz do MDM, disse que o Governo deve criar condições para poder comprar combustível a preços mais competitivos e na moeda que for mais competitiva para o país.

 

“O país não pode hipotecar a sua soberania económica porque precisamos de comprar, e não sabemos a que preços, o combustível da Rússia e em rublos [moeda russa]. Esta alternativa visa criar especulação à economia nacional, visa eliminar o princípio da transparência do mercado internacional. Portanto, o MDM é contra qualquer iniciativa de aquisição de combustíveis que não se baseia em preços competitivos e benefícios económicos para o país”, defendeu.

 

O debate em torno da possibilidade de compra de combustíveis russos surge na sequência da abertura do Governo russo, através do seu Embaixador em Moçambique, Alexander Surikov, em vender o trigo e combustíveis do seu país a Moçambique, desde que pague em rublos.

 

A oferta foi bem recebida pelos empresários moçambicanos e o Governo prometeu analisar a sua viabilidade. No entanto, a Embaixadora dos Estados Unidos da América nas Nações Unidas, Linda Thomas-Greenfield, ameaçou os países africanos com sanções, caso comprem combustível da Rússia.

 

Refira-se que o MDM, tal como a Renamo, sempre condenou a invasão russa à Ucrânia e criticou a posição neutra assumida pelo Governo perante o conflito, que dura há quase seis meses. (A.M.)

Fonte: Carta de Moçambique

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