O Escritório da Organização das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (UNOCHA) revela que cerca de 1,3 milhão de pessoas precisam urgentemente de assistência humanitária e protecção nas províncias de Cabo Delgado, Niassa e Nampula, devido aos ataques terroristas na província de Cabo Delgado.

 

Numa nota de imprensa divulgada esta terça-feira, a organização avança que perto de 670 mil pessoas deslocaram-se das suas zonas de origem para outros pontos das províncias de Cabo Delgado, Niassa e Nampula. Citando dados da ACLED (Armed Conflict Location & Event Data Project), um projecto desagregado de colecta de dados, análise e mapeamento de crises, estima que mais de 570 incidentes violentos terão sido registados no ano de 2020, na província de Cabo Delgado.

 

No conjunto dos casos relacionados com os ataques terroristas e que preocupam aquela agência das Nações Unidas estão os assassinatos, decapitações e sequestros que, segundo a ACLED, expandiram-se geograficamente e aumentaram de intensidade em 2020.

 

A UNOCHA garante que cerca de 950 mil pessoas estejam a passar fome nas províncias de Cabo Delgado, Niassa e Nampula, visto que o conflito e os deslocamentos repetidos destruíram os meios de subsistência e perturbaram os mercados.

 

Conforme consta da nota, a insegurança aumentou o custo dos produtos básicos, em muitas partes de Cabo Delgado, especialmente nas áreas particularmente afectadas pelo conflito, incluindo os distritos de Palma, Macomia e Mocímboa da Praia.

 

“As comunidades em áreas menos agitadas de Cabo Delgado, bem como nas províncias vizinhas de Niassa e Nampula, mostraram uma solidariedade e generosidade incríveis com os deslocados que fogem da crise”, constata a organização, sublinhando que 90% das pessoas que fugiram do conflito estão hospedadas em casa dos familiares e amigos.

 

A organização aborda ainda o aumento do número de casos de cólera entre os deslocados, contabilizando-se, até 14 de Fevereiro, 4.916 casos e 55 mortes, sendo que o maior número de casos foi registado no distrito de Metuge. Refira-se que os ataques terroristas destruíram 36% das instalações de saúde na província de Cabo Delgado, sobretudo nos distritos de Mocímboa da Praia, Macomia, Muidumbe e Quissanga. (O.O.)

Fonte: Carta de Moçambique

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