As famílias vítimas do terrorismo em Cabo Delgado são provenientes de distritos fustigados pelos insurgentes, designadamente,  Macomia, Mocímboa da Praia, Palma, Nangade  e Muidumbe. Deixaram para trás tudo o que construíram e chegaram à província da Zambézia há, sensivelmente, dois anos,  para recomeçar a vida. Anualmente, chegam vários apoios provenientes do INGD e parceiros para apoiar as mais de mil famílias um pouco espalhadas  pela Zambézia, oriundas daquela província do país.

No pico da insurgência, nalguns distritos da província de Cabo Delgado, Zambézia recebeu há cerca de dois anos, perto de 1 400 famílias, que escalaram vários distritos da província em busca de abrigo seguro para reiniciar as suas vidas, devido à situação, nas zonas de origem, causada pelos terroristas que, sem piedade, decapitavam homens, mulheres e crianças, tal como contou Helena Vicente, uma deslocada proveniente do distrito de Muidumbe, reassentada no bairro de Macovine, distrito de Mocuba. Ela viu o seu esposo ser morto pelos terroristas.

Dada a situação de matança, que era, na altura, cada vez mais crescente, na sequência da incursão dos terroristas, Helena Vicente decidiu, na companhia de outras pessoas da sua aldeia, fugir para a província da Zambézia, mais concretamente, distrito de Mocuba. Porque tudo o que deixou para trás ficou perdido, ela e seus conterrâneos passam por várias necessidades, como, entre outras, vestuário, alimentação e habitação. Contudo,  desde que chegaram ao local, o Instituto Nacional de Gestão do Desastres (INGD) e vários parceiros têm doado alimentação para que elas consigam erguer-se.

Foi, justamente, a pensar no sofrimento das famílias que a Cáritas Diocesana de Quelimane decidiu avançar, na companhia do INGD, em mais uma acção humanitária de apoio a 115 famílias, o correspondente a 428 pessoas. Esta quarta-feira, as famílias receberam alimentos e outros bens, para melhorar a sua condição de vida.

O director-executivo da Cáritas Diocesana de Quelimane, António Estrelio, explicou que a mobilização dos recursos foi possível através de uma agremiação italiana para apoiar deslocados de seis distritos, são eles Quelimane, Nicoadala, Chinde, Namacurra, Mocuba e Milange. Para dos deslocados, a fonte fez saber que apoios também têm estado a ocorrer para assistir famílias de 14 distritos afectados pelas últimas intempéries.

“É este apoio que estamos a disponibilizar nos distritos já mencionados. Para os deslocados da província de Cabo Delgado, são 421 famílias e, para os afectados dos ciclones Ana e Gombe, são 1.500 famílias. Em princípio, ainda estamos a mobilizar mais recursos em coordenação com o INGD para que, nesta fase de reconstrução pós-ciclone e insurgência, possamos conseguir dar abrigo às famílias”, disse o director-executivo da Cáritas Diocesanas.

Já o INGD elogia os feitos da Cáritas Diocesanas de Quelimane que se junta aos esforços do Governo na mobilização de víveres para as famílias necessitadas. Nelson Ludovico, delegado do INGD na Zambézia, fez saber que, neste momento, além dos bens alimentares, a instituição tem insumos agrícolas para as populações, o que vai ajudar as famílias a produzirem bens para o seu auto sustento.

“É isto que nós temos estado a solicitar aos parceiros, para que toquemos mais atenção na produção agrícola, para que elas sejam resilientes e auto-sustentáveis. Anualmente, temos estado a cultivar esta prática. No ano passado, vimos campos de produção nos bairros de reassentamento do distrito de Mocuba, foi um exemplo bastante brilhante e estamos a continuar a capitalizar. Já apoiamos as famílias na construção das casas com recursos a material local, tivemos que envolvê-los no corte de estacas para produzir as casas que, neste momento, têm, enquanto captamos recursos para construção de casas mais consistentes e definitivas”, disse o delegado do INGD para quem as famílias de Macovine estão saudáveis e não há motivos de queixa, porque o Governo está a garantir apoio necessário.

Ludovico fez saber que, há dois anos, a província recebeu 1400 deslocados de Cabo Delgado, que “gradualmente regressam à proveniência graças ao clima de paz que está a ser reposto naquela província pelas FDS e suas congêneres”.

Por sua vez, as famílias retratam cenários de sofrimento na zona de origem e agradecem por todo o apoio que tem sido dado pelo Governo e parceiros.

Fonte:O País

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