Moçambique só tem dois ortopedistas pediatras especializados no tratamento do pé boto

Desde o início do programa nacional do pé boto, sob a implementação do método de ponseti, em 2013, já foram intervencionadas 1 534 crianças.

O método de ponseti é usado em todo o mundo, sendo mais eficaz para crianças menores de dois anos de idade.

Este modelo de tratamento obedece a duas etapas: a etapa de correcção, que inclui a colocação de gesso, como vemos nas imagens, e uma pequena cirurgia. A segunda fase é de manutenção e exige o uso de pequenas sandálias, chamadas talas.

Mattihias Schmauch, ortopedista pediatra, explica que as talas são cruciais para o tratamento do pé boto. “Se não usarmos as botas, o pé pode voltar à posição antiga, mesmo após a operação”. O médica refere que, logo depois dos dois primeiros métodos, a criança deve usar talas. No início, as talas devem ser usadas de dia e de noite. Mas, a partir dos seis meses, podem ser usadas apenas enquanto a criança estiver a dormir, tanto de dia como de noite.

E foi obedecendo a este método que Júnior, de quatro anos de idade, pode agora sonhar com uma vida sem nenhum tipo de limitações físicas. O menino que começou a fazer o tratamento do pé congénito com base no método de ponseti, aos dois meses de vida, agora está completamente recuperado.

Dois ortopedistas pediatras

Moçambique só tem dois ortopedistas pediatras especializados no tratamento do pé boto, ambos no Hospital Central de Maputo. O médico que responde pelo programa a nível do Ministério da Saúde, Francisco Cândido, diz que os outros profissionais não têm formação específica para lidar com o pé boto, tendo apenas recebido capacitações. Mas avança que “os casos acompanhados em todo o país são um sucesso, visto que o processo não é complexo e pode ser atendido por qualquer ortopedista”. Além do Hospital Central de Maputo, o pé boto em crianças de até dois anos é tratado nos hospitais centrais da Beira e Nampula, e nos provinciais de Inhambane, Gaza, Tete, Chimoio, Zambézia e Niassa. São no total 10 unidades sanitárias capacitadas para tratar esta deformação congénita.


Fonte:http://opais.sapo.mz/index.php/sociedade.html

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