MARIZA Esculudes é uma entre os vários intervenientes no agro-processamento na província de Maputo. Membro do movimento associativo dos produtores de Mafuiane, no distrito da Namaacha, defende a necessidade de um maior investimento na produção de mudas de fruteiras, como condição para estimular a produção e produtividade.

É que, segundo explicou, a dependência da África do Sul na busca de mudas com qualidade tem condicionado a muitos, o que não aconteceria se internamente houvesse fomento em grandes quantidades.

“Tem sido um pouco difícil o acesso às plantas porque tem entrado uma quantidade ínfima para o país, a partir da África do Sul. Mas com uma produção local nós os produtores poderíamos aumentar, paulatinamente, a nossa capacidade”, disse.

Sobre a forma como alimenta a actividade de processamento com recurso a frutas, disse ter a missão facilitada porque a sua matéria-prima é basicamente de frutos silvestres localmente disponíveis.

“Eu dou primazia a frutos silvestres. Faço jam e licores a partir destas plantas. Agora multiplico estacas de amoreira e já com bastante mudas. Estou igualmente a produzir mudas de jambalão e mapfilwa, com perspectiva de multiplicar também a massala”, disse.

Para Mariza Esculudes, a indústria de agro-processamento tem pernas para andar no nosso país, o que depende do cometimento do Estado moçambicano no incentivo aos que podem trazer para o país as embalagens, por exemplo, sejam de vidro, sejam de plástico.

“O que acontece é fabricarmos os nossos produtos, embalamos em determinados recipientes que passado algum tempo desaparecem do mercado”, disse.

Explicou que os consumidores normalmente vão pelo olho quando procuram algo. No dia em que forem a um supermercado, conhecendo o produto através da embalagem e não a encontrarem, certamente que não levarão outra que lá estiver, ainda que o conteúdo seja o mesmo que procuram. 

A certificação é outro problema levantado por Mariza Esculudes, que cria constrangimento nos agro-processadores, de um modo geral. Segundo explicou, o laboratório que podia dar pormenores sobre os produtos processados ainda não informa o perfil do que se produz localmente, sobretudo com recursos a frutos silvestres.

“Cada produto é um produto, dependendo do local onde é fabricado. Sabemos que  estamos a produzir a base de frutos silvestres mas tínhamos que ter uma informação sobre esses frutos, sua composição, etc. O que acontece agora é recorrermos à Internet em busca de informação”, disse.

Há dez anos que Mariza Esculudes lida com o processamento de frutas, inicialmente a pensar na sua família. Porque o resultado era bastante apreciado pelos que consumiam, e também elogiado, sentiu-se motivada a alargar a produção, passando a fazer do agro-processamento o seu negócio, sobretudo quando adquiriu uma quinta na zona de Mafuiane.

“Pude fazer uma formação promovida pelo Instituto de Pequenas e Médias Empresas e isso me fez mudar de produtora somente para a família e passar a vender. Actualmente emprego cinco colaboradores”, disse.

Sempre que há oportunidade de enriquecer os seus conhecimentos junta-se a iniciativas promovidas pelo Instituto de Investigação Agrária (IIAM),onde aperfeiçoa novas técnicas.  Leia mais

Fonte:Jornal Notícias

Leave a Reply

Your email address will not be published.