O julgamento de duas pessoas acusadas de assassinar Mahamudo Amurane, autarca da cidade nortenha de Nampula em 2017, começou quarta-feira, no Tribunal Provincial local. Os acusados são Saide Abdulremane, que era vereador municipal de Nampula para os mercados e feiras na altura do homicídio, e o empresário Zainal Satar que era o empreiteiro das obras de Amurane.

 

De acordo com o “Notícias”, o procurador Cristovão Mueleca disse que Abdulremane, sem o conhecimento ou consentimento do autarca, assinou um memorando de entendimento com Satar ao abrigo do qual foi concedido desde último um espaço para o seus negócios no centro da cidade.

 

Abdulremane tentou selar este acordo subornando Amurane. Ele transferiu 2.000 euros (cerca de 2.100 dólares americanos, ao câmbio actual) para a conta bancária pessoal do edil. Quando Amurane ficou sabendo disso, ele devolveu o dinheiro.

 

Nessa data, Amurane voltou para casa por volta das 17h30 e encontrou Satar lá inspeccionando obras. Alguns minutos depois, Abdulremane chegou e os três homens conversavam do lado de fora da casa. Todos os três então deixaram a casa particular de Amurane e caminharam até sua residência oficial, onde o prefeito foi morto a tiros.

 

Ambos os suspeitos negam ter disparado o tiro fatal. Eles alegaram que um atirador desconhecido apareceu na frente deles. Mas a procuradoria argumenta que Satar e Abdulremane eram as únicas pessoas que poderiam ter  disparado da mesma distância de onde o tiro foi disparado.

 

O exame do corpo mostrou que Amurrane foi baleado por trás (e, portanto, não por quem apareceu na frente dele),

 

A acusação observou que os dois suspeitos não tentaram salvar Amurane, nem informaram imediatamente as autoridades do crime. Esse atraso, argumentou o promotor, deu-lhes tempo para se desfazer da arma do crime.  A acusação, portanto, não tem dúvidas de que Abdulremane e Satar são “os autores morais e materiais do assassinato”.

 

Amurane foi eleito prefeito de Nampula nas eleições municipais de 2013, na chapa do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), o segundo maior partido da oposição do país. Mas ele então se desentendeu com a liderança do MDM, e suspeitava-se que ele planejava concorrer como independente nas próximas eleições para prefeito, marcadas para 2018.

 

Em agosto de 2017, Amurane removeu o poder de Abdulremane de assinar memorandos de entendimento. Segundo a procuradoria Abdulremane e Satar elaboraram um plano para assassinar o prefeito, que puseram em prática em 4 de outubro de 2017. (AIM)

Fonte: Carta de Moçambique

Leave a Reply

Your email address will not be published.