O acesso equitativo às vacinas anti-covid-19, com ênfase na redistribuição de doses excedentes dos países membros do G7 (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido), vai estar no topo da agenda. Apesar do apoio unânime à Covax, iniciativa liderada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que visa assegurar vacinas a países de médio e baixo rendimento, o número real de doses disponibilizado está muito abaixo das necessidades, pois os países ricos têm dado prioridade às suas próprias populações. O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, disse que vai apelar aos restantes líderes para unirem esforços para ajudar a vacinar o mundo inteiro contra a covid-19 até ao final de 2022.Além do acesso “aqui e agora” às vacinas, deverá ser discutida na transferência de tecnologias e recursos por países e farmacêuticas para facilitar e aumentar a produção de vacinas. Mas o Governo britânico quer levar a discussão para além, promovendo o ‘slogan’ da presidência do G7 “reconstruir melhor” e promover uma estratégia para a recuperação da pandemia covid-19 ao mesmo tempo que o mundo reforça a resiliência contra futuras pandemias.O regresso dos EUA ao Acordo de Paris representa também uma oportunidade para avançar com mais compromissos no combate às alterações climáticas, nomeadamente ao nível do financiamento climático a países em desenvolvimento. Boris Johnson, que também vai presidir à cimeira sobre as alterações climáticas COP26 em novembro em Glasgow, vai querer usar o G7 para alavancar e acelerar iniciativas no sentido de reduzir emissões de gases com efeitos de estufa e promover energias limpas. A participação do Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, representa também uma oportunidade para uma maior união em termos de política externa, sendo esperadas discussões e declarações sobre as situações no Myanmar, Afeganistão, Etiópia, Bielorrússia, Líbia e Irão. As relações com a Rússia e China deverão ser abordadas, depois das críticas feitas em maio pelos ministros dos Negócios Estrangeiros do G7, que lamentaram a “atitude irresponsável e desestabilizadora” da Rússia, em particular na Ucrânia, e apelaram à China a respeitar os direitos humanos e liberdades fundamentais em Xinjiang e Hong Kong.Como habitual nas cimeiras do G7, representantes da União Europeia vão estar presentes, nomeadamente a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen e o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel. A cimeira decorre até domingo na bonita baía de Carbis Bay, na Cornualha, região famosa pelas suas praias e linha costeira, mas que o Governo britânico quer promover pelo papel na “nova revolução verde” britânica, pois possui a primeira central geotérmica do país e uma mina de lítio, ingrediente essencial para as baterias elétricas.

Fonte : Folha de Maputo

Leave a Reply

Your email address will not be published.