O Indicador do Clima Económico (ICE) prolongou a tendência decrescente que vem registando desde o primeiro trimestre de 2021. Segundo a recente publicação do Instituto Nacional de Estatística (INE), comparado com os anos anteriores, o perfil do ICE registado no trimestre de referência, apresenta-se ligeiramente acima do verificado no trimestre homólogo de 2020.

De acordo com os dados do INE, em termos sectoriais, a conjuntura desfavorável da economia no terceiro trimestre de 2021 decorreu da apreciação negativa dos agentes dos sectores de produção industrial e de serviços (que incluem os de transportes, alojamento e restauração, construção e dos outros serviços não-financeiros), facto que permitiu suplantar o de comércio que registou um incremento substancial no período em análise.

A análise do INE indica que a procura futura prolongou a quebra no terceiro trimestre, ou seja, o indicador continuou a deteriorar-se no terceiro trimestre de 2021, apesar da ligeira diferença de saldo de respostas relativamente ao trimestre anterior, bem como o nível mais baixo da sua série temporal dos últimos quatro trimestres. Essa perspectiva desfavorável no trimestre em análise decorreu da avaliação pessimista do indicador nos sectores da produção industrial e de serviços, contrariando o sector do comércio que se apreciou positivamente face ao trimestre anterior.

Quanto ao emprego, o INE indica que, no período em análise, o mesmo continuou em queda, isto é, registou uma diminuição acentuada, se comparado com o trimestre anterior, facto que acontece pelo terceiro trimestre consecutivo, tendo o seu saldo atingido o nível mais baixo da respectiva série temporal.

Já os preços subiram de forma ténue no terceiro trimestre face ao anterior, tendo-se o seu saldo situado acima do observado no mesmo trimestre de 2020. A subida dos preços futuros no III trimestre foi impulsionada pelas opiniões inflacionistas vinculadas a todas as actividades alvos do inquérito com maior destaque para a produção industrial.

 

EMPRESAS COM CONSTRANGIMENTOS DIMINUEM 15% NO TERCEIRO TRIMESTRE

Em média, 39% das empresas inquiridas enfrentaram algum obstáculo no terceiro trimestre, situação que representou uma diminuição de 15% de empresas com constrangimentos face ao trimestre anterior.

Segundo o INE, a queda da proporção de empresas com limitação de actividade no trimestre em análise foi influenciada, principalmente, pela redução de empresas com dificuldades em todos os sectores face ao trimestre anterior. Os sectores com maior frequência relativa de empresas com constrangimentos foram os serviços de transportes (46%), actividades da produção industrial (40%) e comércio (32%).

 

QUEDA DRÁSTICA DA PERSPECTIVA DE EMPREGO DETERIORA CONFIANÇA NO SECTOR INDUSTRIAL

Em conformidade com o INE, no III trimestre do ano corrente, o indicador de confiança do sector da produção industrial abrandou ao registar uma substancial diminuição, facto que acontece após ligeiro incremento no trimestre anterior, tendo o seu saldo atingido um novo mínimo da respectiva série temporal.

A perspectiva de preços experimentou uma expansão se comparada com o trimestre anterior. Cerca de 40% das empresas deste sector tiveram constrangimentos no trimestre em análise, o que representou 21% de redução de empresas com constrangimentos face ao trimestre anterior, facto contrário ao indicador síntese do sector. Uma série de factores continuou a afectar o sector industrial, destacando-se a falta de matéria-prima (32%), a falta de acesso ao crédito (20%), a concorrência (16%) e os outros factores não especificados (18%) como principais obstáculos que dificultaram o óptimo desempenho do sector.

 

CONFIANÇA EMPRESARIAL NO COMÉRCIO AUMENTOU

No período entre Julho e Setembro, o indicador de confiança do sector do comércio voltou a aumentar de forma substancial se comparado com o trimestre anterior, representando, assim, uma situação muito melhor da registada no período homólogo de 2020. Cerca de 32% das empresas do comércio enfrentaram algumas dificuldades no desempenho da actividade no trimestre em análise, o que correspondeu a uma redução de 18% de empresas do sector com limitação da actividade face ao trimestre anterior. Os principais factores continuaram a ser a baixa procura (43%), a concorrência (21%) e a falta de acesso ao crédito (14%) e os outros factores não especificados (21%) em ordem de importância.

Contrariamente, a confiança no sector de serviços foi desfavorável. O INE destaca uma queda ligeira do volume de negócios. Cerca de 46% das empresas deste grupo de actividades foram afectadas por algum obstáculo no período em referência, o que correspondeu a 3% de diminuição de empresas do sector com alguma limitação de actividade face ao trimestre anterior. Essa situação foi influenciada principalmente pela baixa procura (37%), falta de acesso ao crédito (11%), a concorrência (9%) e outros factores não especificados (33%).

Fonte:O País

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