AS excelentes relações entre Moçambique e Suazilândia estão por detrás do esforço que está sendo feito para reanimar a fronteira da Namaacha, que durante muitos anos foi a principal porta de entrada e saída entre os dois países, mas que nos últimos tempos viu o seu movimento em queda vertiginosa, devido a factores adversos.

Até aqui, dos quatro postos existentes na província de Maputo (Ressano Garcia, Goba, Ponta D’Ouro e Namaacha), este último é o que regista baixo fluxo migratório, quando comparado com os outros, onde em média mensal cruzam 11.136 viajantes. Assim, com esta medida de alargamento do prazo, acredita-se que muita gente possa optar por este posto para escalar aquele país vizinho.

Ainda em tempos, o mesmo posto contribuiu de forma significativa para a criação e consolidação de laços inter-pessoais e até familiares entre os cidadãos dos dois países, bem como para as trocas comerciais e, deste modo, para alavancar a economia dos dois países.

Na verdade, segundo disse há dias o Ministro do Interior, Jaime Basílio Monteiro, as relações entre Moçambique e a Suazilândia transcendem a mera partilha de fronteiras, pois os seus povos comungam valores sócio-culturais, nos quais assenta a sua identidade, cujas matrizes se misturam e se confundem na luta comum pelo desenvolvimento e bem-estar.

Monteiro falava na cerimónia havida semana passada, em que os dois países confirmaram o alargamento do horário de funcionamento dos postos fronteiriços da Namaacha, em Moçambique, e Lomaasha, no Reino da Suazilândia. Do lado moçambicano, o acto foi dirigido pelo Ministro do Interior, Jaime Basílio Monteiro, e da contraparte suázi pelo Ministro dos Desportos e Ministro Interino dos Assuntos Internos, David Ngamphalala. O evento, carregado de enorme significado político, económico e social para Moçambique e Suazilândia, foi testemunhado por várias pessoas, na sua maioria “mukheristas”, considerados uns dos maiores usurários deste posto de travessia.

“Com a extensão do horário de funcionamento da fronteira, consolidamos as excelentes relações históricas de irmandade e cooperação. Com este acto, as nossas relações conhecem mais uma etapa do seu percurso em prol do bem-estar das suas comunidades”, apontou Monteiro.

Por esta fronteira, registam-se fluxos migratórios de cidadãos em actividades de turismo e laser, bem como o movimento de importações e exportações de produtos diversos, com destaque para o açúcar refinado, álcool, papel e viaturas.

“Estes factos, aliados à necessidade de implementarmos soluções que contribuam para uma maior facilitação da vida dos cidadãos utentes desta fronteira e, atentos, em particular, ao crescimento das vilas que integram estes postos de travessia, conferem relevância particular à extensão do horário do seu funcionamento, devendo passar a abrir às 7:00 horas e encerrar à meia-noite, ao invés do actual horário no qual a fronteira encerrava às 20:00 horas. Com esta medida, queremos contribuir para a dinamização das trocas comerciais entre os dois países, incrementar os fluxos migratórios de turistas, facilitar o comércio transfronteiriço e, deste modo, resgatar a preferência deste posto de travessia pelos diversos operadores económicos e pelos cidadãos” – afirmou o ministro.

REMOÇÃO DE BARREIRAS

Basílio Monteiro explicou que, com os esforços em curso, pretende-se que este posto de travessia desempenhe um papel de complementaridade em relação ao posto de Ressano Garcia, particularmente nos momentos considerados de pico, caracterizados por uma grande demanda dos diversos serviços que integram as autoridades de fronteira, resultando numa enorme pressão e enchentes que pouco abonam a qualidade do serviço público prestado ao cidadão.

“Neste sentido, incentivamos as autoridades do Reino da Suazilândia a tudo fazerem com vista a harmonização do horário de funcionamento do posto fronteiriço de Mananga, pois tal permitiria operacionalizar um novo corredor tripartido, propiciando um maior escoamento de pessoas e bens entre Moçambique, Suazilândia e a África do Sul. Reiteramos a nossa vontade e determinação de continuar a reforçar e ampliar as excelentes relações de cooperação existentes entre Moçambique e a Suazilândia, cientes de que a interdependência e a complementaridade entre os nossos dois países continuarão a ser a determinante fundamental do destino comum dos nossos dois Estados e povos”, disse o governante moçambicano, ao mesmo tempo que deixava um apelo aos operadores económicos, em particular, e aos cidadãos, no geral, para o bom uso de mais uma facilidade colocada à disposição pelos Governos de Moçambique e da Suazilândia, como demostração da sua vontade inabalável de remover barreiras administrativas, facilitando o ambiente de negócios e o desenvolvimento do turismo.

”MUKHERISTAS” HONRADOS

A Associação Moçambicana dos “Mukheristas”, representada pelo respectivo presidente, Sudecar Novela, está agradecida com a decisão dos dois governos de alargar o horário de funcionamento, tendo referido que a medida vai flexibilizar as operações dos membros. Segundo ele, devido à limitante do tempo, muitos acabavam por pernoitar na fronteira, com todos os riscos que isso representava.

“Esta decisão vai permitir que os “mukheristas” façam chegar os produtos aos beneficiários em tempo útil. Também aproveitar esta oportunidade para dizer que o “mukhero” não é contrabando mas sim uma actividade legal que assegura famílias”.

SUÁZIS SATISFEITOS

O Governo da Suazilândia, através do Ministro dos Desportos e Ministro Interino dos Assuntos Internos, David Ngamphalala, reconheceu que com o alargamento do horário de funcionamento da fronteira de Namaacha, os seus concidadãos terão muito mais tempo de viajar para Moçambique a fim de fazer compras, sem se preocuparem com o tempo para regressar.

Nos últimos tempos, muitos cidadãos suázis têm escalado o nosso país para fazer compras de vária natureza, com realce para o calçado e vestuário. Porque a fronteira fechava as 20 horas, muitos viam-se obrigados a pernoitar junto à fronteira em Maputo.

HÉLIO FILIMONE

Fonte:http://www.jornalnoticias.co.mz/index.php/politica/67542-impulsionando-o-comercio-na-fronteira-de-namaacha-mocambique-e-suazilandia-revigoram-relacoes.html

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