O Governo reactivou, esta quarta-feira, o Complexo Agro-Industrial de Chókwè (CAIC), inaugurado pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, em 2015. O complexo ficou inoperacional, dois anos depois da inauguração, por escassez de matéria-prima, facto que tornou aquela unidade industrial num “elefante branco”, custando ao Estado 180 mil Meticais por mês para a sua manutenção.

 

O CAIC custou 60 milhões de USD, financiados pelo Exim Bank da China. Foi concebido para o processamento de 30 mil toneladas de arroz por ano. Prevê ainda processar a castanha de caju, o tomate, bem como alargar o leque de produtos para batata, repolho e milho.

 

A reactivação do empreendimento foi orientada pelo Ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Celso Correia. Depois de testemunhar o roncar das máquinas de processamento de arroz, em discurso de ocasião, o Ministro afirmou que o momento da reactivação da fábrica representa o despertar do “monstro adormecido” e que resulta de acções levadas a cabo no âmbito do programa de relançamento da produção no Vale de Limpopo, anunciado em 2020 e orçado em 600 milhões de Meticais.

 

“Este momento representa o despertar do monstro adormecido. Fizemos um investimento na ordem de 600 milhões de Meticais no regadio, o que nos permitiu acrescentar a produção, na última safra, em 20 mil toneladas de arroz, produzidos em novas áreas de cerca de 5 mil hectares acrescidos. Eis a materialização dos resultados”, afirmou Correia.

 

Mercê dessa produção, o governante disse que a CAIC já tem stock para começar o seu processamento e armazenamento e colocação de arroz no mercado. “O arroz sustenta já é uma realidade”, sublinhou o Ministro.

 

Na ocasião, Correia procedeu ainda à entrega das primeiras quatro ceifeiras para a colheita de arroz, de um total de seis máquinas previstas para a próxima campanha.

 

“A nossa expectativa com a fábrica é atingirmos, na próxima campanha, uma produção de 30 mil toneladas, isto é, que funcione no seu máximo. E, em primeira mão, queremos anunciar que os primeiros sacos de arroz já estão disponíveis. Serão entregues às nossas Forças de Defesa e Segurança, a um preço bonificado”, afirmou o Ministro.

 

Segundo o titular da pasta da Agricultura e Desenvolvimento Rural, se se continuar com a referida produção crescente de arroz, “nos próximos cinco anos iremos atingir a auto-suficiência em termos de produção”.

 

Ainda no seu discurso, Correia sublinhou que não é trabalho do Estado gerir fábricas de arroz, cabendo ao sector privado. Nesse contexto, disse estarem em curso acções que visam transferir a gestão para investidores do sector privado.

 

Reagindo à reactivação da fábrica, a produtora de arroz (numa área de 75 hectares), Lisete Mucase mostrou-se satisfeita, alegadamente, porque não mais terá a sua produção desperdiçada por falta de local de armazenamento e processamento. “Para mim, a fábrica é bem-vinda porque, de facto, a gente produzia e não tinha onde deixar a colheita. Asseguramos a matéria-prima para a fábrica, mas pedimos que o Governo apoie mais as mulheres para maior inclusão no programa Sustenta”, afirmou Mucase. (Evaristo Chilingue)

Fonte: Carta de Moçambique

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