Numa altura em que cresce a crítica em torno da actuação do Governo, no que respeita à assistência aos deslocados de guerra, em Cabo Delgado, o Executivo moçambicano viu-se, esta quarta-feira, na obrigação de se pronunciar à volta do assunto.

 

Na pessoa de Carlos Agostinho do Rosário, Primeiro-Ministro (PM), a partir do pódio da Assembleia da República, desvalorizou as afirmações, segundo as quais, é actor ausente, no que à assistência aos deslocados internos dos ataques terroristas, em Cabo Delgado, diz respeito.

 

Carlos Agostinho do Rosário disse que o Governo, por via do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC), esteve, desde a primeira hora, no terreno a prestar assistência em bens alimentares e não alimentares aos deslocados à chegada aos centros de acolhimento, bem como nas famílias acolhedoras.

 

“O Governo, através do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC), sempre esteve no terreno, prestando assistência em bens alimentares e não alimentares aos deslocados logo à sua chegada nos centros de acomodação e nas famílias acolhedoras”, disse Carlos Agostinho do Rosário.

 

Para além de rebater a ideia de uma figura que apenas se notabiliza pela ausência, o Executivo também negou que a ajuda não tem estado a beneficiar a totalidade dos deslocados internos, naquele ponto do país. Carlos Agostinho do Rosário disse que a assistência está a beneficiar a todos os deslocados, cuja maioria está, segundo disse, em Cabo Delgado. A aludida assistência, completou o Governante, está a ter lugar em estrita colaboração com os parceiros nacionais e internacionais.

 

Nesta quarta-feira, foi, igualmente, actualizado o número de deslocados decorrentes dos ataques em Cabo Delgado. Segundo o PM, o número de deslocados internos situa-se, actualmente, em mais de 435 mil pessoas, que buscam refúgio nas províncias de Cabo Delgado, Nampula, Zambézia, Niassa, Manica, Sofala e Inhambane.

 

Do Rosário apontou ainda que o maior fluxo de deslocados registou-se com a chegada, recentemente, ao bairro de Paquitequete (cidade de Pemba) de 10 mil pessoas, das quais 4 mil são crianças.

 

Adiante, o Primeiro-Ministro anotou que o INGC está a providenciar abrigos temporários e que, até ao momento, haviam sido criados 13 centros de acomodação, sendo seis na província de Cabo Delgado, quatro em Nampula, dois em Manica e um no Niassa.

 

Com objectivo de normalizar a vida dos deslocados, Do Rosário deu a conhecer que o INGC, em colaboração com as estruturas locais, está a proceder ao reassentamento das famílias, tendo, para o efeito, demarcado 3.500 talhões para habitação em Cabo Delgado, Nampula, Zambézia e Sofala, bem como, distribuído kits para prática da actividade agrícola e pesqueira.

 

Entretanto, num estudo lançado, há dias, o Centro de Integridade Pública (CIP), após escalar Cabo Delgado e Nampula, aponta que o processo de assistência aos deslocados estava sendo liderado por organizações humanitárias das Nações Unidas, da Igreja Católica e Islâmicas. Refere que o papel do Governo da coordenação da assistência aos deslocados é quase inexistente.

 

O estudo aponta que, em Cabo Delgado, há relatos de desvio de ajuda destinada aos deslocados, acto perpetrado pelas autoridades locais, através da adulteração das listas dos beneficiários. Aliás, as autoridades locais dão primazia a parentes seus ou ainda a pessoas com quem têm alguma afinidade.

 

O documento reporta ainda situações de abusos ou tentativa de abusos sexuais de mulheres deslocadas em troca de ajuda e que, mesmo após denúncias, não são desencadeadas investigações tendo em vista a responsabilização dos autores e, mesmo em casos confirmados, os violadores não sentem a mão dura da lei. (Ilódio Bata)

Fonte: Carta de Moçambique

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