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Funcionários da Universidade Zambeze (UniZambeze) denunciam o comportamento do Reitor da Instituição, Bettencourt Preto Sebastião Capece, acusando-o de arrogância, prepotência e desrespeito às recomendações deixadas pelo Presidente da República, no acto da tomada de posse.

 

Conforme refere a carta dirigida ao Presidente da República, Filipe Nyusi, e que “Carta” teve acesso, os funcionários daquela instituição defendem que o Reitor está a interpretar erradamente as recomendações dadas e escolheu estratégias impróprias para “limpar’’, o que foi deixado pelo antigo Reitor.

 

“Hoje, no lugar de imprimir mudanças usando técnicas adequadas, o Reitor está a mexer com a vida das pessoas e está a ignorar toda a estrutura governativa da província por ostentar o estatuto de Ministro, ou seja, ninguém abaixo dele pode emitir uma opinião. Afirmou não ser muito de política e diz que está à espera de ser premiado por ter eliminado células na Unizambeze”, lê-se no documento.

 

Outra inquietação apresentada pelos funcionários tem a ver com o pagamento dos subsídios do período Pós-laboral, suspensos há três meses sem justificação. Os funcionários afirmam que os directores centrais são “paus-mandados” do Reitor, sendo que a opinião deles não conta quando se toma uma decisão.

 

Outrossim, os funcionários dizem que o Reitor está a transformar a Universidade num calabouço submetendo os trabalhadores ao cárcere privado.

 

“Muitos funcionários querem sair da UniZambeze por falta de boas relações trabalhistas e de um bom ambiente de trabalho, mas o Reitor não os deixa. As reuniões que decorrem são forjadas, para cumprimento dos Planos, sendo que no final as decisões que contam são do Reitor”, relatam as fontes.

 

O documento diz ainda que o Director de Recursos Humanos corre o risco de ficar alterado por conta do stresse que ele carrega devido à interferência do Reitor na gestão de Recursos Humanos da instituição.

 

“Sentimos que há necessidade urgente de apoiar o Director de RH para encontrar outras formas de lidar com pessoas, senão o Reitor vai levá-lo ao abismo. Vai ficar maluco. Já corre de um lado para outro. A melhor gestão de todos os tempos é trabalhar por resultados. Mas na UniZambeze basta marcar presença, pronto. Podes ficar até às 15:30 para pousar o dedo de novo no finger print (melhor chamar Fingir print = impressão fingida)”, referem.

 

“Tivemos informação da instalação de um aparelho electrónico para perseguir algumas pessoas, porque foi provado que a sua operacionalização não se adequa à nossa realidade. Quando o Reitor chegou, veio com discursos bombásticos, do tipo, abaixo a corrupção, não quero directores corruptos e, logo na primeira semana, mandou cessar a Chefe de Gabinete do antigo Reitor, semana seguinte mandou mais três directores centrais, um mês depois cessaram alguns directores das faculdades”.

 

Na Carta, os funcionários alegam que o Reitor chegou com muita sede de poder e apelam para que pare de se meter na vida das pessoas e cuide do seu orgulho porque isto pode não acabar bem.

 

“O Reitor zanga quando é chamado de Senhor ou pelo seu nome. Só quer ser chamado Professor Doutor Bettencourt Preto Sebastião Capece, sendo que de doutor ainda não provou que tem algo”, escrevem os denunciantes.

 

Nas queixas arroladas, os funcionários explicam que o Reitor está a impedir a saída de 10 funcionários com boa formação académica e aprovados no concurso de Mobilidade para a Autoridade Tributária de Moçambique.

 

“Carta” tentou obter a reação do Reitor da UniZambeze, mas sem sucesso. A nossa reportagem ligou para os contactos da instituição, disponíveis no site da Universidade, assim como na página oficial daquela instituição no Facebook, mas sem sucesso. (Marta Afonso)

Fonte: Carta de Moçambique

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