A técnica de monitoria e avaliação, afecta ao Departamento Agro-pecuário no Fundo de Desenvolvimento Agrário (FDA), Celeste Ismael, tentou, na terça-feira (19), convencer ao tribunal de que ela não está, de forma alguma, envolvida na aprovação de projectos considerados falsos, alguns dos quais de mutuários inexistentes, e que deram azo ao saque de 170 milhões de meticais daquela entidade do Estado. Ela é indiciada, por exemplo, de ter emitido pareceres favoráveis a quatro programas para concessão de financiamento, ignorando o facto de os mesmos não reuniam requisitos para o efeito e revelou-se hesitante quando foi chamada a se defender.

Os beneficiários dos referidos projectos são os co-réus Atália Machava, Lazão Mondlana e os irmãos Dércio Manganhe e Gerson Manganhe.

Celeste Ismael, de 47 anos de idade, disse ao tribunal que efectuou visitas aos espaços de cada um dos co-arguidos acima indicados e constatou que havia condições para o desenvolvimentos de actividades agro-pecuárias, conforme constava dos planos dos proponentes.

Todavia, ela declarou, respondendo a uma pergunta do Ministério Público (MP), que não se recorda de ter mantido contacto com os pretensos mutuários, pese embora ela tenha se dirigido aos seus talhões.

A acusada esclareceu ainda que aquando das visitas feitas aos referidos terrenos dos proponentes de projectos financiados fraudulentamente pelo FDA, eles não se fizeram presentes, tendo indicado os seus representantes. Estes encontraram-se com ela no local do trabalho, nos distritos de Namaacha, na província de Maputo; Manjacaze e Chibuto, em Gaza.

O que Celeste Ismael não sabia, talvez, é que Atália, Lazão, Dércio e Gerson, por exemplo, disseram ao tribunal que não dispõem de talhão algum naquelas parcelas do país, segundo João Nhane, representante do MP.

Aliás, os irmãos Dércio Manganhe, Gerson Manganhe e Dinaia Manganhe disseram que não conhecem os distritos de Manjacaze e Chibuto. Nunca lá estiveram, recordou o magistrado.

A dado momento da audição, e respondendo a uma outra questão do MP, a técnica de monitoria e avaliação afirmou que não seria capaz de identificar os espaços que alega ter visitado.

Contudo, no que tange aos demais requisitos para a prossecução dos seus projectos, os mutuários deviam juntar ao expediente bilhetes de identidade e DUAT ou um outro documento emitido pelas autoridades competentes, que lhes confere propriedade dos talhões onde pretendiam desenvolver os seus empreendimentos.

Celeste Ismael clarificou, também, que após o seu parecer, os projectos eram encaminhado ao do Departamento Agro-pecuário, chefiado, à data os factos, por Brasilino Salvador.

Refira-se que este réu, de 38 anos de idade, elaborou um projecto em benefício próprio e, por via disso, recebeu um crédito de 3.950.000 meticais.

Neste contexto, ele é incriminado de forjar 13 programas para financiamento, pese embora tenha tentado convencer o tribunal de que ele é inocente.

Voltando aos depoimentos de Celeste, ela disse que, na qualidade de técnica, depois de emitir o seu parecer os processos são enviados ao Departamento Agro-pecuário, e passa a ter não ter mais contacto com os mesmos.

Ademais, ela passa igualmente a não ter informação sobre quando é que os projectos que são financiados e quanto é que é desembolsados.

Ela só tomou conhecimento de que os projectos em alusão nunca foram implementados quando o Gabinete Central de Combate à Corrupção iniciou a investigação e foi atrás de si.

@Verdade – Democracia

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