Município da Matola vai reassentar oito famílias cujas casas foram demolidas

Ruínas. É o actual cenário na área onde, na passada quinta-feira, foram demolidas cerca de 10 residências, no bairro de Tchumene, município da Matola. As famílias que viram as suas casas serem demolidas encontram-se a viver em condições precárias, ao relento. Algumas assumem que receberam aviso do Conselho Municipal da Matola, porém, não tinham para onde ir nem o que fazer. Genito Romão foi um dos visados. Entretanto, dois dias depois, teve de erguer uma barraca para garantir tecto à filha e esposa. A louça e os poucos bens que possui estão ao relento. As chapas que cobriam a casa, hoje são as quatro paredes que dão estrutura à casa improvisada. “Estamos a dormir ao relento, conforme vê. Não é nada seguro, estamos a tentar improvisar. Se aparece chuva ou ventania, não teremos alternativa. Com crianças e idosos aqui, não há como, se mesmo nós passamos mal”, lamentou. Genito diz, porém, que teve informação prévia da edilidade, mas não tinha para onde ir. “Tivemos um aviso por parte do Conselho Municipal, o prazo foi de 15 dias”. À semelhança de Genito, Olga Matavele diz que foi avisada, mas as condições não permitiram que se retirasse do lugar. Há nove anos que Olga mora naquele local, junto com os filhos. Quando a noite cai, as chapas servem de abrigo. “Tivemos aviso, mas não temos como. Não tenho dinheiro para me mudar. No mês passado, vieram dar papéis a dizer que tínhamos 15 dias para sair, porque aqui enche água. Agora, nós dormimos debaixo das chapas que sobraram. Sofrimento eu já estou acostumada”, afirmou. No sábado, membros do MDM dirigiram-se ao local, para se inteirar da situação. Silvério Ronguane, membro do partido, considera que a decisão do conselho Municipal devia ter sido melhor pensada, pois demolir casas sem antes garantir espaço para as famílias abrangidas torna ainda mais vulnerável a sua situação. “O que se nota é que as famílias estão perto de uma zona propensa a inundações. isso concordamos, mas quando se retiram famílias vulneráveis, é preciso transferi-las para um lugar mais seguro”, afirmou. Já a edilidade da Matola diz que as famílias se instalaram naquele local sem autorização das autoridades, mas que o diálogo sempre foi uma prioridade por parte do Município. Refira-se que a situação de construções proibidas em zonas de risco é recorrente no município da Matola. “O que pretendemos é que isso não se torne um ciclo vicioso, pois encarece as despesas do município. Além de que pode ser que haja um nexo de causalidade com a crescente onda de crimes, porque, por detrás de residências formais, existem essas obras proibidas. É preciso referenciar que, muitas vezes, as tentativas de regularização de espaços impróprios nós indeferimos, para evitar que aconteçam cenários como os que vimos”, disse Edson Ussaka, vereador de Planeamento Territorial e Urbanização no Município da Matola. Neste momento, o improviso é regra para as famílias abrangidas pelas demolições, as suas casas foram substituídas por pequenas barracas. Todas elas, algumas compostas por idosos, aguardam o reencaminhamento do Município, já que não têm condições para o fazerem por si. Mulheres e crianças são a maioria naquela comunidade do bairro Tchumene. Famílias afectadas pelas demolições serão reassentadas nos próximos dias A edilidade da Matola diz que, a partir desta semana, vai dar início à transferência das oito famílias afectadas pelas demolições para uma zona segura, onde poderão fixar novas residências. Reagindo às preocupações dos moradores da zona de Tchumene, onde foram demolidas residências, o Conselho Municipal assegurou que a edilidade está a trabalhar numa solução para as famílias desalojadas. “As famílias serão reencaminhadas. A vereação municipal de acção social já está a fazer um trabalho, desde o primeiro momento do sucedido. Já há espaços identificados. A partir de hoje, as oito famílias que estão em situação crítica serão removidas para duas zonas habitáveis, em princípio no bairro Siduava ou Godloza”, assegurou fonte do Conselho Municipal. Entretanto, a vereação da área de urbanização na Matola adverte as populações para não construírem em zonas de risco, pois o reassentamento não é responsabilidade da edilidade. De referir que esta não é a única zona habitada propensa a inundações no município da Matola e o Município da Matola avança que pretende demolir cerca de 50 casas ilegais construídas nessas zonas.  

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