Um cidadão chinês está detido na cidade de Pemba, capital provincial de Cabo Delgado, em consequência do sumiço de um navio chinês suspeito de transportar mais de 80 contentores de madeira contrabandeada, que fora apreendida em Agosto de 2020.

 

O Procurador-Chefe de Cabo Delgado, Octávio Zilo, disse à imprensa que o esquema pode envolver funcionários da Autoridade Tributária, da AQUA, das alfândegas, fiscais florestais, despachantes aduaneiros e membros das Forças de Defesa e Segurança (FDS). Aliás, em Agosto, nove indivíduos foram detidos, porém, os mesmos foram restituídos à liberdade, aguardando pelo respectivo julgamento.

 

Uma investigação da “Carta” indica que os contentores “zarparam” do Porto de Pemba por ordens de gente ligada à elite predadora, assim como generais altamente respeitados na província. Aliás, a fonte faz referência ao facto de a exploração da madeira não ter cessado naquele ponto país, apesar dos ataques terroristas que se verificam desde Outubro de 2017.

 

Segundo a fonte, o cidadão chinês foi apenas “um trunfo” usado para tirar a madeira e depois entregar-lhe à justiça, alegadamente para se mostrar trabalho. Explica que a escolha do mesmo, como fiel depositário, foi milimetricamente calculada pelos líderes da gang.

 

A fonte garantiu que mais de 90% da madeira serrada, que se encontra armazenada fora dos contentores, desaparece misteriosamente e que sempre que os fiscais honestos tentam actuar recebem “ordens superiores” para cancelar as operações.

 

De salientar que, em 2020, na província de Tete, foram apreendidos 50 camiões, transportando Nkula supostamente oriunda da Zâmbia e que entrou no território nacional sem nenhuma documentação e que viria ter um livre-trânsito. Entretanto, neste caso, Octávio Zilo diz que tudo está sendo feito para que o navio “zarpado” regresse ao porto de Pemba. (Omardine Omar)

Fonte: Carta de Moçambique

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