Estudo actualizado e publicado esta quinta-feira, em Maputo, revela que, devido aos efeitos da pandemia da COVID-19, o nível de actividade empresarial reduziu em cerca de 65% no primeiro semestre de 2020, o que culminou com a redução do Índice de Robustez Empresarial em cerca de 49%, de 0,51, em Janeiro, para 0,26, em Junho.

 

Do estudo consta que o sector da hotelaria e turismo figura como o mais afectado, tendo registado uma retracção do nível de actividade em mais de 75%. Devido a estes impactos, o estudo feito pela Confederação das Associações Económicas (CTA) aponta que, no primeiro semestre do ano, o sector empresarial, como um todo, registou perdas de facturação estimadas em cerca de 31 mil milhões de Meticais, o correspondente a 453 milhões de USD.

 

Falando no acto da apresentação do estudo, o vice-presidente da CTA, Álvaro Massinga, assinalou que, com base no impacto relatado, e considerando a evolução da pandemia e a dinâmica económica que se projecta para a segunda metade do ano, estima-se que o volume de perdas de facturação do sector empresarial moçambicano, em todo o ano de 2020, ascenda a aproximadamente 951 milhões de USD, o correspondente a cerca de 7% do Produto Interno Bruto (PIB).

 

“Contudo, espera-se uma tímida recuperação da actividade empresarial no segundo semestre, devido à reabertura gradual de algumas economias e alívio de algumas restrições no quadro das medidas do Estado de Emergência. Espera-se, ainda, uma recuperação gradual do Índice de Robustez Empresarial, podendo subir de 0.26, em Junho, para 0.34, em Dezembro”, afirmou Massinga.

 

Entretanto, ressalvou o empresário, esta recuperação estará fortemente dependente da evolução da pandemia na África do Sul, que é o principal parceiro comercial do país, bem como do contínuo alívio das restrições da actividade empresarial, no âmbito das medidas de prevenção.

 

Do estudo consta ainda o impacto da crise pandémica na massa laboral. A CTA apurou que, até ao final do primeiro semestre do ano em curso, cerca de 30 mil contratos de trabalho haviam sido suspensos e, considerando este ritmo de evolução, estima que, até ao final do ano, este número aumente para 63 mil, o correspondente à aproximadamente 11% da massa laboral empregue no sector privado.

 

Em termos sectoriais, Massinga explicou que a hotelaria e turismo regista o maior número de postos de empregos suspensos (cerca de 40%, do total) e a congregação espera que, neste sector, o número de empregos suspensos continue a aumentar.

 

“Isto é, embora se espere que, nos próximos seis meses, possam surgir sinais positivos no subsector da restauração, dada a gradual abertura e suavização das restrições, no quadro do Estado de Emergência, o mesmo já não se aplica para a área de alojamento e agências de viagens. A experiência da Europa, que já tem um plano de alívio de restrições em curso, a abertura de fronteira é das últimas etapas. Isso tem implicações nas agências de viagens e nos estabelecimentos de acomodação, uma vez que, em Moçambique, maioritariamente, a principal procura é externa” fundamentou Massinga.

 

Perante esse cenário, a CTA prevê que o número de empregos suspensos no subsector de acomodação, portanto, hotelaria, continue lamentavelmente a aumentar ao longo do segundo semestre do ano. (Evaristo Chilingue)

Fonte: Carta de Moçambique

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