Cerca de 26 por cento de estudantes graduados do ensino técnico-profissional estavam desempregados no ano 2020 e 48 por cento tinham trabalhos precários. Os dados constam dum estudo divulgado, esta quinta-feira, pela Universidade Eduardo Mondlane (UEM), na cidade de Maputo.

Os resultados do estudo, denominado “Inquérito à transição ensino-emprego dos finalistas do ensino técnico-profissional em Moçambique”, abrangeu a uma amostra de 1600 estudantes finalistas de 20 escolas em cinco províncias, nomeadamente, Maputo cidade e província, Tete, Nampula e Cabo Delgado.

O documento aponta que apenas 40 por cento dos finalistas tinha conseguido um trabalho imediato, percentagem que aumentou em 11 por cento em Novembro de 2020.

O estudo apresenta três segmentos de finalistas abrangidos.  Num dos grupos, o primeiro inquirido, observou-se que somente 9 por cento de estudantes tinham conseguido um “bom emprego”.

“Estes empregos são, na sua maioria, dos ramos de actividades financeiras, indústria e serviços públicos. Estes, por sua vez, oferecem remunerações relativamente altas e têm condições contratuais melhores”, aponta o relatório.

No segundo grupo, a pesquisa concluiu que 48 por cento dos estudantes finalistas conseguiu encontrar um emprego, sendo maioritariamnte biscates. Ou seja, eram empregos precários, em que as condições laborais são, de todo, baixas.

No terceiro e último grupo, o estudo aponta que 43 por cento de jovens graduados não conseguiu encontrar, sequer, uma ocupação e dos 13 por cento dos finalistas que ainda estavam a estudar, 9 por cento ja estavam a procura de trabalho.

O relatório aponta um cenário ainda mais complexo. É que, cerca de 85 por cento dos participantes da pesquisa que ja tinham algum trabalho, continuavam à procura por outras oportunidades. Aliás, metade destes estava a trabalhar em sectores realacionados aos seus cursos de formação.

Se os estudantes ressentem-se da falta de emprego após a sua formação profissional, quando o encontram os mesmos têm um outro problema por enfrentar: os baixos salários.

“Há também um desvio considerável entre as espectativas dos estudantes com que entram no mercado de trabalho e as condições que encontram nesse mesmo mercado. Neste mesmo mercado, as suas espectativas salariais são também um fracasso”, disse Ricardo dos Santos, Pesquisador na Universidade Eduardo Mondlane.

 

MULHERES SÃO AS MAIS DESFAVORECIDAS

Os resultados do estudo vão mais longe ao apontar que as mullheres têm poucas oportunidades de emprego e menos remuneradas em relação aos homens.

“Há disparidades notórias entre homens e mulheres nas suas experiências de transição para o mercado de trabalho. Menos mulheres conseguiram um emprego de imediato, tendo se visto obrigadas a procurar emprego durante mais tempo, em comparação com os homens”, revela a pesquisa.

O relatorio refere que até a última ronda da pesquisa, o salário médio por sector era geralmente menor para as mulheres. A maior diferença salarial é proveniente do sector de serviços públicos, com destaque para os sectores de saúde e educação.

No geral, os baixos salários são auferidos por ambas partes, tanto homens como mulheres. Outro dado não menos importante é que a maioria dos jovens conseguiu emprego através de empresas privadas, tendo estas contratado 26 por cento de finalistas que preferiam trabalhar para um empregador.

O estudo aponta, entretanto, que 84 por cento de finalistas preferiam empreender. Contudo, não dispunham de condições para iniciar seus projectos. Assim, apenas 1 por cento de finalistas é que conseguiram se tornar empresários.

A fraca empregabilidade dos jovens tem factores ja habitualmente conhecidos, mas a pesquisa não descurra dos impactos da pandemia da COVID-19.

O Governo reconhece a precariedade de emprego na camada juvenil e diz que ha medidas em curso com vista a criar mais oportunidades para os jovens.

“O estudo desperta a nossa atenção sobretudo no acompanhamento do mercado do trabalho, nas medidas que devem ser tomadas para melhorar a inserção laboral dos jovens recém graduados”, disse Rolinho Farnela, Vice-ministro de Trabalho, presente no lanaçamento dos resultados da pesquisa.

Encabeçado pela Universidade Eduardo Mondlane, o estudo que decorreu entre do país entre Janeiro e Dezembro de 2020, contou com a parceria da Universidade de Copenhaga e financido pelos Governos de Dinamarca, Finlândia e de Noruega.

Fonte:O País

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