Estabilização do número de novos casos não significa fim da "tempestade"

Uma estabilização do número de novos casos de covid-19 a nível mundial “não significa que a tempestade tenha acabado”, afirmou hoje o director do programa de emergências sanitárias da Organização Mundial de Saúde, recomendando que continue a “vigilância absoluta”.

Em conferência de imprensa na sede daquela agência das Nações Unidas, Michael Ryan afirmou, quando questionado sobre um “planalto” no número de novos casos nos últimos 30 dias (entre 250.000 e 260.000), que “águas calmas não significam que a tempestade tenha acabado”.
“Podemos estar no olho da tempestade e não o sabermos”, ilustrou, salientando que a maior parte da população mundial ainda é susceptível e não esteve exposta ao novo coronavírus e que este “ainda tem um longo caminho a fazer, se lhe for permitido”.
Michael Ryan defendeu que é preciso “muito, muito cuidado” e “vigilância absoluta”: se, por um lado, países que tiveram situações críticas, como a Itália, conseguiram conter a expansão do contágio, “perderão todo o progresso conseguido se forem complacentes”.
Questionados sobre a vacina que foi anunciada pela Rússia esta semana como sendo eficaz e pronta a usar a partir de Janeiro, os responsáveis da OMS mantiveram a cautela, salientando que há cerca de 170 vacinas candidatas e que 26 estão na fase de testes clínicos.
“Nenhuma das vacinas-candidatas terminou os ensaios clínicos. Ainda não sabemos qual será eficaz e segura”, afirmou a directora-geral adjunta, Mariângela Simões.
O director-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, reiterou que o mundo “precisa de várias [vacinas] candidatas para maximizar as hipóteses de encontrar uma solução vencedora” e que o caminho para encontrar qualquer vacina
Sobre a vacina russa, a OMS “não tem ainda informação suficiente, mas está em contacto com a Rússia”.
Tedros Ghebreysus voltou a criticar o “nacionalismo de vacinas” manifestado por alguns países, defendendo que a melhor maneira de encontrar uma ou várias vacinas de tipos diferentes e de estas terem um efeito positivo é as nações agirem em conjunto.
A OMS reconhece que quando houver uma vacina provada, “a procura vai superar a oferta”, o que acarreta “o risco de preços inflacionados”.
O mecanismo lançado pela OMS para uma colaboração global no desenvolvimento e fornecimento equitativo de vacinas (COVAX) tem actualmente nove vacinas nas fases dois e três, que visam avaliar a sua eficácia e segurança.
Tedros Ghebreyesus voltou a pedir mais verbas para o acelerador de vacinas e tratamentos da covid-19, que ainda só tem dez dos mais de cem milhões que a OMS estima serem necessários só para criar vacinas, e que não podem vir apenas das ajudas ao desenvolvimento tradicionais que os países membros da organização contribuem.
O director-geral da OMS considerou que esse investimento é pouco para o estrago que o Fundo Monetário Internacional estima que a covid-19 está e vai fazer na economia mundial: 375 mil milhões de dólares por mês e 12 triliões de dólares acumulados ao longo de dois anos.
A pandemia de covid-19 já provocou mais de 749 mil mortos e infectou mais de 20,6 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP. (RM /NMinuto)

Fonte:Rádio Moçambique Online

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