CINCO mortos e 12 feridos, entre graves e ligeiros, de um universo de 163.283 afectados, constituíam, até a manhã de ontem, o balanço preliminar da passagem do ciclone tropical Eloise, que, na madrugada de sábado atingiu o centro do país e o norte de Inhambane, destruindo infra-estruturas socioeconómicas, com destaque para 4.412 casas.

A fatalidade ocorreu na cidade da Beira e os feridos foram contabilizados noutros pontos de Sofala, também sacudidos por ventos até 120 km/h e rajadas de 150 km, para além de chuvas com mais de 200 milímetros em apenas 12 horas.

Diversas equipas multissectoriais, sob coordenação do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), encontram-se no terreno a fazer o levantamento dos danos, não obstante as dificuldades de telecomunicações e transitabilidade.

Há pelo menos 12 estradas intransitáveis nas províncias da Zambézia, Sofala e Manica, pelo que acredita-se que o grau do impacto devastador do “Eloise”, que atingiu uma região já saturada de chuvas anteriores, possa ser ainda maior, tal como avançou António Beleza, director-adjunto do Centro Nacional Operativo de Emergências (CENOE).

Falando ontem à imprensa na Beira, Beleza disse ainda haver 1500 casas inundadas, embora sem danos estruturais, para além de onze unidades sanitárias e 26 salas de aula destruídas, bem como perto de 137 mil hectares de culturas diversas perdidas, devido ao transbordo dos rios Búzi, Púnguè e Save, em Sofala, e outros em Manica e Norte de Inhambane.

Tendo em conta a destruição e alagamento de milhares de casas, 21 centros de acomodação foram abertos, sendo 19 em Sofala, e dois em Manica, acolhendo cerca de sete mil pessoas. Em Sofala, a zona crítica é o distrito do Búzi, cuja vila-sede foi totalmente evacuada para o Posto Administrativo de Guara-Guara, a zona mais alta. Cerca de seis mil dos deslocados são do Búzi, de acordo com Teixeira Almeida, delegado do INGD, em Sofala.

Os ventos e chuvas fortes danificaram também as redes de transporte e distribuição de energia eléctrica, havendo ainda zonas da Zambézia, Sofala e Manica às escuras, não obstante o movimento dos técnicos da empresa Electricidade de Moçambique (EDM) para repor os sistemas. A cidade da Beira, por exemplo, que esteve praticamente às escuras desde a noite de sexta-feira, já está iluminada desde a noite de sábado, embora partes isoladas da urbe continuem ainda sem corrente eléctrica.

Lelo Tayob, do Instituto Nacional de Meteorologia (INAM), disse que o “Eloise” encontrava-se, na manhã de ontem, a sair de Manica rumo à África do Sul, mas, mesmo assim, continua a contribuir para chuvas naquela província e em Gaza.

Por outro lado, segundo Tayob, há massas de ar instáveis que se formaram no Sul do país, estando na origem da chuva que cai nesta região, prevendo agravamento do estado de tempo para hoje e melhorias a partir de amanhã.

Quanto ao comportamento das bacias hidrográficas, Isac Filimone, da Direcção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos, afirmou que a situação é estável, embora o cenário de inundações continue ao longo dos rios Buzi, Púnguè e Save.

Fonte:Jornal Notícias

Leave a Reply

Your email address will not be published.