O declarante disse ter sido obrigado a mentir por orientação do advogado Imran Issa, para proteger os interesses do ex-director da inteligência económica no Serviço de Informação e Segurança do Estado (SISE), o réu António Carlos do Rosário, seu amigo de infância.“Meritíssimo, menti porque estava a ser conduzido por uma estratégia de defesa montada pelo advogado Imran, e eu não tinha outra saída”, disse Aboobacar, quando interrogado pelo juiz da causa, Efigénio Batista.A estratégia, segundo o declarante, partiu da altura em que o réu António Carlos do Rosário procurou por ele, e pelo Osman Mahomed, este último também declarante no processo, juntamente com o réu Zulficar Ahmad, sócios na empresa de prestação de serviços EPS-ZON. Na altura, António Carlos do Rosário mostrou-se interessado em comprar um imóvel na capital moçambicana. Foi dai que os três apresentaram-lhe o imóvel avaliado em 1.250 mil dólares, tendo se efectuado o respectivo pagamento.Pela intermediação, segundo Aboobacar, os três receberam 100 mil dólares do grupo Privinvest, empresa envolvida no escândalo financeiro (Dívidas Ocultas), incluindo pagamento de subornos. O valor foi depositado na conta bancária do réu Zulficar Ahmad.Consta que, na altura dos factos, António Carlos do Rosário, em concertação criminosa como o advogado Issa, desenharam uma estratégia de defesa para obstruir a verdade material.Durante o interrogatório, a procuradora Ana Sheila Marrengula quis saber se o declarante estava ciente de que ao mentir estava a violar o dever de falar somente a verdade, ao que Aboobacar respondeu afirmativamente.Sobre a parceria entre a EPS-ZON e a Txopela Investments SA, da qual o réu António Carlos de Rosário é um dos sócios, Aboobacar explicou que não existe qualquer relação entre as duas empresas e que tudo aconteceu porque o Advogado Issa colocou como endereço físico da Txopela, o mesmo da EPS-ZON, porque, na altura, a Txopela ainda não tinha endereço próprio.“A Txopela nunca teve parceria com a EPS-ZON. Na altura em que se criou a Txopela, colocou-se o mesmo endereço da nossa empresa. Porque eu era accionista da Txopela com um (1) por cento, decidiu-se que a mesma devia estar no mesmo endereço com a EPS-ZON.Durante a audiência, Aboobacar foi confrontado com documentos da Txopela Investments SA assinados por ele, em 2014. Convidado pelo tribunal para se explicar, o declarante mostrou-se confuso. Depois de muita insistência, Aboobacar disse que só assinou os documentos em 2013 para a constituição da Txopela. Mas não reconhece os documentos de 2014, embora a assinatura que consta dos mesmos seja sua.Ainda hoje, o tribunal ouviu o declarante Taiob Cadangue que confirmou ter participado no acto constitutivo da empresa Txopela Investments SA, na qual era administrador não executivo, sem direito a remuneração.

Fonte: Folha de Maputo

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