O Fundo Global das Cidades disponibilizou 200 mil dólares para a cidade da Beira, no âmbito das acções de mitigação dos efeitos das mudanças climáticas. O dinheiro será investido, durante um ano, no reassentamento das famílias que residem na zona da Praia Nova.

De acordo com Samuel Simango, do Departamento de Protecção Costeira e Gestão de Risco e Desastres, no Município da Beira, o dinheiro será usado para a reposição das dunas naturais. O processo arrancará em Julho deste ano com o reassentamento de cerca de 900 famílias, que vivem em condições precárias na zona da Praia Nova, uma área que é frequentemente inundada pela água do mar, o que obriga famílias a pernoitarem em cima das mesas, cadeiras e até na berma da estrada.

Na fase-piloto desta iniciativa, serão reassentadas 100 famílias na zona de Muavi, em terrenos de 15 por 20 metros. “Muavi é um bairro com características similares às da Praia Nova. Trata-se de um local onde as comunidades podem continuar a desenvolver a sua principal actividade – a pesca. Quando reassentadas, as famílias reclamam da falta de inclusão quanto ao acesso aos serviços básicos para o seu sustento”, disse Samuel Simango, tendo depois esclarecido que os reassentados não são obrigados a residir em Muavi, já que “teremos outras duas opções, nomeadamente os bairros de Nhangau ou Cerâmica, que são áreas em expansão na urbe”.

Para a concretização da iniciativa, já estão disponíveis cerca de 200 mil dólares do Fundo Global das Cidades, ao qual o Município da Beira teve que concorrer, tendo ficado em terceiro lugar.

Refira-se que as referidas famílias já foram reassentadas várias vezes, no entanto sempre regressam à zona da Praia Nova, alegando falta de condições nos locais onde eram colocadas.

A edilidade acredita que, desta vez, nada falhará. “As famílias terão espaços maiores para residirem, áreas seguras e com a vantagem de ter o DUAT. Além disso, montaremos, em Muavi, um frigorífico para a conservação do seu pescado. Este projecto, desenhado pelo Município [da Beira], depois de uma profunda investigação e aprovado por um Comité Internacional de Avaliação de Projectos que o colocou em terceiro lugar, tem tudo para dar certo”, manifestou a esperança, embora reconheça a insuficiência do valor disponibilizado.

“200 mil dólares não é muito dinheiro, mas acreditamos que é possível encontrar outros parceiros que irão apostar na iniciativa. De igual modo, acreditamos que vão gostar do projecto de protecção costeira, que arrancará em meados do próximo ano.”

As outras duas cidades, das cinco contempladas para terem acesso ao Fundo Global das Cidades, de modo a minimizar o impacto das mudanças climáticas, são da Libéria e da África do Sul. Para esta iniciativa, há um milhão de dólares.

Fonte:O País

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