Burlas com recurso a documentos oficias falsificados para retirar fraudulentamente dinheiro das contas bancárias de indivíduos e empresas voltam a preocupar na província e Cidade de Maputo. Há supostas quadrilhas envolvidas nesses esquemas e com alegado apoio de funcionários da DNIC e de operadoras de telefonia móvel.

O alerta foi dado nas redes sociais por uma vítima de burla que denunciou o caso, depois de os supostos burladores terem tentado retirar fraudulentamente da sua conta três milhões e quinhentos mil meticais; antes já lhe tinham retirado 250 mil meticais.

“Isto é uma história surreal, ontem fiquei sem o telefone da Vodacom durante o dia todo, não consegui ligar, nem ter acesso a dados móveis, rigorosamente nada. Hoje de manhã, quando me levantei, fiquei chateado e só como tinha a Mcel e liguei para a Vodacom para saber o que estava a acontecer. Entretanto, ao longo do dia de ontem, a minha gestora do Banco ABC liga para mim a perguntou-me se estava fazer alguma transação e eu disse que não; ela não disse mais nada. Hoje de manhã, precisei de movimentar a minha conta e não consegui ter acesso, dizia que a minha conta do ABC estava bloqueada”.

É o relato de quem foi vítima de um esquema de saque de 250 mil meticais e pretendiam tirar mais, isto é, três milhões e quinhentos mil meticais.

Um homem, de 63 anos de idade, que diz ser técnico hidráulico, agora desempregado, pai de oito filhos, alguns a viverem e a estudarem na África do Sul, tem a sua fotografia num Bilhete de Identidade que foi falsificado, sendo de outra pessoa, no caso a vítima.

Ele é membro de uma alegada quadrilha que se dedica a saque de dinheiro nas contas bancárias alheias. Sabe quem falsificou o BI, mas não revela a sua identidade, diz que a alegada quadrilha é grande e actua de forma muito articulada. Diz ser usado apenas para levantamentos, daí que foi apanhado mesmo quando tentava retirar três milhões e quinhentos mil meticais.

“Eu realmente não vou negar; não há ninguém que nega dinheiro, porém, neste momento, sou o mais lesado, porque recebi migalhas.”

Questionado se recebeu o dinheiro, respondeu que “não porque fui detido antes de levantar o dinheiro no banco”. O suspeito, que já está sob custódia policial, conta que dois dos elementos da alegada quadrilha estão mesmo na província de Maputo.

O esquema da suposta quadrilha é complexo e funciona com alegada conivência de funcionários dos operadores de telefonia móvel que bloqueiam os contactos de potenciais vítimas para não receberem o alerta do banco no acto de levantamento do dinheiro.

Mas, num dos documentos que circulam nas redes sociais pertencentes a uma operadora de telefonia móvel, há um número de telemóvel, para o qual o jornal “O País” contactou e a pessoa do outro lado da linha atendeu e sabe das supostas burlas, mas escusa-se a dar detalhes, limitando-se a dizer que se trata de um assunto familiar.

O homem, já a contas com as autoridades e com os comparas a monte, diz que não é a primeira vez, pois, num passado recente, retirou quatro milhões e quinhentos mil meticais da conta de uma empresa e ganhou como gratificação 100 mil meticais.

“Foi em Junho ou Julho, num banco de Zimpeto, donde retirei quatro milhões e quinhentos mil meticais. Recebi cem mil meticais. Eles são dois conhecidos meus que fazem isto. Eu sou apenas usado para levantar dinheiro.”

O Serviço de Investigação Criminal na província de Maputo conta como foi possível neutralizar este indiciado. Elino Ponguane, porta-voz do SERNIC, diz que a corporação recebeu um alerta do Banco e a equipa de agentes foi e encontrou o homem no interior da agência e foi imediatamente detido e conduzido às celas.

Estranho ainda é o Bilhete de Identidade biométrico com elementos de segurança que foi falsificado. Alberto Sumbana, porta-voz da Direcção Nacional de Identificação Civil, “não existe Bilhete de Identidade falso emitido pela DNIC, o sistema está seguro, estamos a informar que este Bilhete não saiu daqui da identificação civil; é um documento falso. Só este ano, temos 12 casos de indivíduos que falsificaram documentos”.

Fonte:O País

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