O país e o mundo inteiro estão a braços com a criminalidade e corrupção cada vez mais agressiva. Por isso assistimos a altos dirigentes de organizações e organismos mundiais a serem corridos dos altos cargos que ocupavam. No fundo, de todo este vergonhoso espectáculo, está a ausência da moral e da religiosidade – disse este domingo, em Morrumbene, o Bispo de Inhambane Dom Adriano Langa.

 

Ele falava na missa de purificação da Igreja Católica de Morrumbene, vandalizada e profanada em Dezembro último. O acto foi protagonizado pelo jovem Ernesto Marimo que, segundo as autoridades, sofre de doença mental.

 

Cerca de trezentos fiéis de todas as comunidades de Morrumbene assistiram à missa, observando todas as medidas de prevenção da Covid-19. A Igreja Católica em Morrumbene conta com quarenta comunidades com mais de dez mil crentes. O espaço no interior da Igreja não foi suficiente para os demais crentes que acorreram àquele local desde as primeiras horas de domingo.

 

A Igreja Católica de Morrumbene transformou-se por algumas horas numa réplica da Basílica de São Pedro em Roma, onde convergem anualmente milhares de fiéis católicos de todo o mundo. Estiveram igualmente dois padres de Jangamo, um de Guiúa, um de Inhambane, um de Homoíne, um de Massinga e o pároco de Morrumbene.

 

Na sua pregação, Dom Adriano Langa pediu as ONG para deixar de andar a atrapalhar, enganar e manipular os governantes e as sociedades com a sua demagogia baseada na ciência da algibeira (pseudociência).

 

“Assessorar é ajudar e ajudar não é substituir nem manipular o ajudado. Por isso deixem de ser agentes de ideologias megalómanas de todo o tipo e que os estados aceitem o facto e o princípio natural de que o seu papel na educação dos filhos, é subsidiado em relação ao direito natural dos pais. Deixem de confiscar, mas devolvam os direitos às famílias e deixem de nos fabricar monstros que atormentam o mundo”, referiu o Bispo de Inhambane.

 

Disse aos fiéis que não faltará quem esteja à espera de ouvir e de saber qual é a posição da Igreja Católica em relação ao sucedido e em relação ao autor.

 

A Igreja perdoa ou não? questionou o dirigente católico.

 

“Até porque se diz que o autor é um doente. Doente ou não, não é nisto que olhamos e pomos o acento. A Igreja olha antes para a sociedade moçambicana e para todas as sociedades do mundo inteiro e as convida para a reflexão. Isto porque hoje os actos de doentes e de pessoas em seu pleno juízo se confundem acabando por confundir tudo e todos – explicou o Bispo de Inhambane.

 

“Por exemplo, hoje pelo mundo fora, a indiferença e intolerância religiosas, o espírito anti-religioso e obstrução à prática religiosa parecem fazer parte de agendas de indivíduos, grupos, instituições e regimes políticos. Hoje aquelas atitudes e práticas parecem fazer parte dos principais critérios de intelectualidade e de gente e de sociedades evoluídas. Hoje parece acreditar-se que uma pessoa e uma sociedade evoluída e intelectual devem ser ateias, anti-religiosas. Por isso, hoje e aqui não nos concentramos no jovem Ernesto Marimo que vandalizou e profanou este espaço porque ele tanto pode ser de facto um doente como pode ser vítima de outra qualquer”, anotou o Bispo Dom Adriano Langa.

 

O prelado começou por justificar a missa de purificação dizendo: “estamos aqui a viver e a testemunhar um evento inabitual, porque também algo de inabitual aconteceu neste espaço.

 

Estamos dentro de um espaço muito sagrado para qualquer crente e para aqueles que respeitam os outros homens, espaço este que se chama igreja. Estamos aqui neste evento porque neste espaço aconteceu aquilo que não deveria ter acontecido. Mas infelizmente houve uma profanação. Aconteceram aqui factos que chocaram e ainda chocam o mundo e o deixaram de boca aberta.

 

Por isso hoje e aqui concentremo-nos em nós mesmos nas sociedades de hoje: na família, nas sociedades, instituições públicas e privadas, nos organismos mundiais, regimes políticos e em todos aqueles grupos cuja acção pode interferir positiva ou negativamente na construção da sociedade humana em qualquer latitude do globo”, afirmou Dom Adriano Langa.

 

Num outro desenvolvimento, salientou que um dos aspectos mais visíveis é o esforço e zelo em curso, a todos os níveis de vida, de erradicar a crença religiosa.  

 

O mundo tem uma agenda urgente e inadiável de banir a crença em todos os sectores da vida das sociedades. 

 

Tais esforços podem inspirar vossos filhos a atitudes e actos como os que estamos lamentando agora e então não precisam de estar doentes ou de passar-se por doentes para procederem como procedeu o jovem de Morrumbene.

 

Com efeito, sabendo-se que, desde casa, passando pela escola, pelos locais de trabalho, pela sociedade em geral, pelas instituições públicas e privadas, até na rua, a religião não tem defensores, mas pelo contrário, ela é objecto de ataques e vexames de todo o género.

 

“Esta realidade pode levar alguns indivíduos, sobretudo jovens, às agressões como a que aconteceu aqui no dia 18 de Dezembro de 2020, certos de que os seus actos não são verdadeiramente condenáveis, mas pelo contrário, há quem as aprove e aplaude. Mais ainda, este facto pode levar os autores a se sentirem e a se considerarem heróis.

 

O Bispo de Inhambane convidou os fiéis a reflectir quando lançou algumas questões, entre as quais: que estará pensando e sentindo realmente Ernesto Marimo e o que estarão pensando e sentindo a sua família e amigos?

 

O que estará pensando e sentindo tu Moçambique do Rovuma ao Maputo e do Zumbo ao Índico neste momento em que o mundo espantado olha para ti por causa daquilo que aconteceu na Igreja Católica de Morrumbene no dia 18 de Dezembro de 2020?

 

Já no final da sua pregação, o Bispo de Inhambane reiterou que o mundo está decidido claramente a caminhar e a se construir sem Deus, sem moral e por isso as sociedades de hoje procuram banir a moral e a religião na família e, sobretudo na escola, na educação das crianças, adolescentes e jovens, esquecendo-se que, dos projectos que excluem Deus, só podemos esperar fracassos a curto, médio e longo prazo e sem Deus não construiremos o Homem nem a Sociedade dignos desse nome.

 

Dom Adriano Langa agradeceu ainda as autoridades, o SERNIC e a PRM pelo seu empenho em descobrir rapidamente o autor do crime acontecido na Igreja Católica de Morrumbene e formulou votos para que o jovem Ernesto Marimo recupere rapidamente para se juntar ao convívio dos colegas. (FI)

Fonte: Carta de Moçambique

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