“A Comissão Política [da Frelimo] lamenta e repudia veementemente a atitude do camarada Castigo Langa, Membro do Comité Central, de ter levantado, no decurso da II Sessão Extraordinária do Comité Central [que teve lugar na semana finda], um ponto fora da agenda aprovada e, a posterior, ter feito circular uma carta nas redes sociais, com afirmações que atentam contra a imagem do Partido e integridade do seu Presidente”.

 

Esta é a reacção do órgão mais importante do partido Frelimo entre as sessões do Comité Central em torno do posicionamento manifestado pelo antigo Ministro dos Recursos Minerais e Energia, Castigo Langa, acerca do possível terceiro mandato de Filipe Jacinto Nyusi na condução dos destinos da República de Moçambique.

 

Na sessão que teve lugar na quinta-feira da semana passada, Langa, recorde-se, disse a Filipe Nyusi para não aceitar qualquer proposta que lhe for colocada, no sentido de continuar na Presidência da República, pois, “não seria bom nem para o Camarada Presidente e a sua família, nem para a Frelimo e seria um precedente com consequências imprevisíveis para o nosso o país”.

 

A “indisciplina” de Castigo Langa irritou o Presidente da Frelimo que, imediatamente, tratou de chamar atenção àquele membro sénior do partido pelo facto de ter levantado um assunto que não estava na agenda. Nyusi disse ainda que nunca se tinha manifestado nesse sentido e que apenas ouvia dizer.

 

No entanto, a resposta dada por Nyusi não foi suficiente. A Comissão Política, presidida pelo próprio Presidente do partido, decidiu repudiar publicamente a atitude do seu membro. O partido entende que os pronunciamentos de Castigo Langa colocam em causa a integridade de Filipe Nyusi e mancham a imagem do partido.

 

A nota de repúdio consta do comunicado de imprensa emitido nesta quarta-feira, após a realização da 77ª e última sessão ordinária da Comissão Política no quinquénio 2017-2022. O encontro visava alinhar as posições dos “camaradas” antes do XII Congresso, que arranca hoje no Município da Matola, província de Maputo.

 

Refira-se que esta é a primeira vez que o partido Frelimo reage publicamente sobre matérias discutidas à porta fechada e que depois foram alvo de notícia. Em várias reuniões, os líderes do partido no poder já foram confrontados pelos membros e alguns dos discursos já foram publicados pela comunicação social, mas o partido nunca emitiu qualquer nota de repúdio.

 

A atitude tomada esta semana pela Comissão Política da Frelimo é vista, em alguns círculos, como um acto de legitimação do debate sobre o possível terceiro mandato de Filipe Nyusi e que pode ser antecipado para o Congresso.

 

Sublinhar que, na sua última sessão, a Comissão Política congratulou os membros e militantes da Frelimo pelo empenho no grande movimento de recolha de contribuições, que permitiram melhorar as infra-estruturas e criar todas as condições logísticas para garantir a realização do XII Congresso. (Carta)

Fonte: Carta de Moçambique

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