Pesquisadores observam que o recente ataque a Macomia revela que zonas libertadas ainda não são seguras para o regresso da população e, além de erros na identificação de terroristas, para os pesquisadores, o Governo apresenta cenário optimista dirigido ao exterior.

Depois de uma relativa calma, o pânico volta a aterrorizar Macomia, mercê do ataque, desta semana, à aldeia Quinto Congresso, onde um grupo terrorista decapitou pelo menos três pessoas.

O pesquisador do Observatório do Meio Rural, João Feijó, alerta ser urgente travar o regresso dos deslocados, atendendo que, apesar do cerco pelas forças militares, o grupo continua a fragmentar-se e a fazer digressões externas, pelo que nenhuma zona libertada oferece segurança.

“O grupo dividiu-se em pequenos números, uma parte é dos que foram raptados ou viram hipótese de ganhar dinheiro, os de baixa patentes, estes querem render-se. Mas os que lá ficaram são estes que fazem os ataques mais violentos, são os radicais que fazem ataques que cortam cabeças. O objectivo é provocar consternação e pânico social”, afirmou.

Os últimos pronunciamentos do comandante-geral da Polícia da República de Moçambique, Bernardino Rafael, indicam que os terroristas estão cada vez mais encurralados e sem logística.

Uma posição que choca com o posicionamento da SAMIM que julga que o terrorismo está longe do fim.

O académico João Feijó entende que o Governo está pressionado pelos investidores na área do gás natural e apresenta cenário optimista dirigido ao exterior, “até porque tem que mostrar resultados do sucesso operacional militar, sabemos que quem está por trás do financiamento do Ruanda é a União Europeia através das multinacionais petrolíferas, pelo menos existe essa desconfiança”.

Já no que Feijó julga ser discurso interno, há ambiguidade, porque, de um lado, as populações são impedidas de regressar e, por outro, as autoridades apontam para somar vitórias.

Céptico em relação ao regresso das populações deslocadas, o pesquisador, que esteve recentemente em Cabo Delgado, aponta ser necessário criar condições de integração sócio-económicas para os deslocados.

O pesquisador João Feijó foi mais longe ao afirmar que o Governo deve optar por outras estratégias para devolver a segurança a Cabo Delgado, visto que a via militar radicalizou ainda mais o grupo terrorista.

“Terá que ter outras componentes de diálogo, desenvolvimento e participação”, finalizou.

Por seu turno, o activista na área de direitos humanos em Cabo Delgado, Gafur Manana, aponta que os terroristas revelam pretensões de continuar a reforçar as fileiras para formar novos focos de ataques.

Por exemplo, neste ataque a Macomia, “os malfeitores encontraram civis que se faziam a machamba, os que resistiram a fazer parte do movimento acabaram por ser decapitados, enquanto os idosos acabaram por ser levado chambocos e seguiram com eles”, disse Gafur Manana.

Atendendo a este cenário, Manana julga ser prematuro aconselhar a população a voltar às zonas de origem, porque aquela região está sob controlo das forças nacionais e regionais.

Aliás, o activista aponta que, além de Macomia, há incursões terroristas em Palma.

 

Fonte:O País

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