Domingos Gundana, membro da Comissão Política da Renamo e Chefe Nacional-Adjunto de Mobilização naquela formação política, garante que o braço armado do maior partido da oposição não tem armas escondidas e que todo o material bélico está sendo entregue às autoridades, no quadro do Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR) da força residual da Renamo, em curso no país.

 

A garantia foi dada esta terça-feira, em Maputo, durante o debate sobre os 30 anos da democracia multipartidária, em Moçambique, organizado pelo Instituto para Democracia Multipartidária (IMD), em parceria com o Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos (MJACR), cujo orador principal era o Presidente da Renamo, Ossufo Momade.

 

Gundana, que se encontrava na plateia a acompanhar o seu líder, interveio no debate, após uma questão colocada pelo académico Hilário Chacate, que pretendia saber se a Renamo estava ou não a entregar todas armas em sua posse. Segundo Chacate, citando dados das Nações Unidas, em 1992, a Renamo detinha seis milhões de armas, mas apenas teria entregue 190 mil.

 

“Há uma coisa que me preocupou do irmão Chacate. Falou do número de armas que a Renamo tinha para o Acordo de 1992. Falou de seis milhões de armas. É incrível ouvir isso. Eu sou brigadeiro desde 1982 e uma das coisas que tive foi participar na Comissão de Reintegração, após o Acordo-Geral de Paz. (…) Conheço aquilo que tínhamos e não conheço estes números. Gostaríamos que nos ajudasse para que não continuemos a ser acusados de pessoas que escondem armas”, respondeu aquele político.

 

Segundo Domingos Gundana, “o DDR cabe a todos nós”, pois, “se não tivermos uma Reconciliação, a Reintegração dos combatentes será deficiente e a sua reinserção na comunidade também”, porque, na sua óptica, o diálogo se desenvolve no topo e se esquece das bases. “É preciso que os líderes, principalmente aqueles que estão no poder, eduquem as suas bases para saberem conviver com os demais”, defendeu a fonte.

 

Na sua intervenção, Domingos Gundana abordou ainda a questão dos 60 milhões de Euros, prometidos pela União Europeia, aquando da assinatura do Acordo de Paz Definitiva de Maputo, a 06 de Agosto de 2019, para financiar a implementação do DDR. Sobre o assunto, o membro da Comissão Política da Renamo disse: “Moçambique não sabe. Eu estou no DDR e não sei de nada. Houve promessa, naquele dia da assinatura do Acordo, mas se o dinheiro chegou não sei. Nós, como Renamo, não fazemos parte da gestão de fundos. Apenas temos recursos humanos, que devem voltar para casa”, avançou. (Omardine Omar)

Fonte: Carta de Moçambique

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