Dados do “Inquérito Sobre o Impacto da Covid-19 aos Agregados Familiares”, divulgados esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), indicam que mais da metade da população urbana esteve desempregada entre Junho e Novembro de 2020, devido aos efeitos causados pela pandemia.

 

De acordo com o Inquérito, baseado numa amostra de 741 agregados familiares (dos 1.185 agregados familiares abrangidos em toda a pesquisa), dois terços (66,6%) dos inquiridos declararam não ter trabalhado nos sete dias anteriores às entrevistas, durante todas as rondas da pesquisa (foram realizadas seis rondas de inquéritos mensais).

 

Segundo o Relatório, dos que declararam não ter trabalho naquele período, entre 12% e 17% declararam ter trabalhado antes da Covid-19, o que significa que terão perdido os seus empregos, devido às restrições impostas por causa da pandemia.

 

“Este facto é confirmado pelos resultados de um Inquérito às Empresas, realizado durante o mesmo período, que relata impactos negativos significativos da crise da Covid-19, especialmente nas Pequenas Empresas. A nível nacional, as empresas reportaram uma redução de 40% nas vendas em comparação com o ano anterior e calcula-se que 30% das empresas tenham encerrado permanentemente”, sublinha a autoridade estatística no território nacional.

 

Agricultura passou a ser principal fonte de renda

 

A falta de emprego, relata o INE, influenciou muitas famílias urbanas a mudarem as suas fontes de renda. Assim, o rendimento proveniente da agricultura (produção agrícola, pecuária ou pesca) passou a aumentar substancialmente. “Enquanto, no mês de Junho, 40% dos agregados familiares declararam a agricultura como fonte de rendimento, no final de Novembro, a percentagem foi de 50%”, revela a fonte.

 

“No entanto, apesar da proporção de agregados familiares que referiram a agricultura como uma fonte de rendimento ter aumentado entre Julho e Novembro, para a grande maioria, o nível de rendimento da agricultura diminuiu. Em Julho, 69% dos agregados familiares com rendimentos provenientes da agricultura apontou um declínio nos níveis de rendimento e, em Novembro, 68% ainda referiu o mesmo. Assim, embora o sector agrícola possa ter absorvido alguma mão-de-obra durante este período, os rendimentos não têm sido equivalentes e muitos agregados familiares nas áreas urbanas continuam a sofrer de níveis de rendimento inferiores aos pré-pandémicos”, sublinha o Relatório.

 

Refira-se que o “Inquérito Sobre o Impacto da Covid-19 aos Agregados Familiares” foi realizado nas áreas urbanas das 11 províncias do país e abrangeu 1.185 agregados familiares (5.938 indivíduos), seleccionados da amostra feita para o Inquérito sobre Orçamento Familiar (IOF 2019/2020).

 

As entrevistas foram realizadas por telefone (entre 15 a 20 minutos), por isso o INE ressalva que a amostra “não é representativa de todos os agregados familiares moçambicanos”. O estudo foi financiado pelo Banco Mundial. (Carta)

Fonte: Carta de Moçambique

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