Foi a 22 de Abril de 2020 que o Conselho Municipal da Cidade de Maputo, em parceria com a Agência Turca de Cooperação e Coordenação Turca para África (TIKA), lançou um projecto de produção de máscaras, no âmbito da prevenção da pandemia do novo coronavírus, com vista a distribuí-las aos munícipes em condições de vulnerabilidade.

 

Para a concretização do projecto, que visava produzir cerca de dois milhões de máscaras faciais, a Edilidade, liderada por Eneas Comiche, contratou 22 pessoas, oriundas de diversos bairros da capital moçambicana, tendo prometido desembolsar, por mês, um subsídio de 3.750,00 Meticais.

 

Entretanto, passados 12 meses após o início do projecto, nenhum dos “produtores” das máscaras produzidas no Centro Municipal de Formação e Orientação ao Emprego de Magoanine “C” conhece a cor do dinheiro.

 

À “Carta”, os lesados garantem que o assunto é do conhecimento da Direcção Municipal da Acção Social que, entretanto, nada faz para resolvê-lo. Avançam que, no princípio, o Presidente do Município dava a cara pelo projecto, mas ultimamente sequer conhece o caminho para chegar àquele local.

 

Os integrantes do grupo têm idades compreendidas entre 21 e 74 anos, sendo que todos revelam ter visto, no projecto, uma oportunidade para ter algum rendimento.

 

“De Abril do ano passado até aqui, produzimos 51.000 máscaras e foram levantadas e distribuídas. Quando levantaram este lote, em Dezembro, abandonaram-nos, tendo parado de nos trazer o material e alimentação”, conta Elisário Ernesto, de 39 anos de idade.

 

Nelson Macamo, de 25 anos de idade, confirma o abandono e afirma que nunca deixou de frequentar aquele local para não ser esquecido. “Todos os dias, optamos em acordar cedo e virmos aqui para eles saberem que nós ainda existimos. Eles abandonaram-nos. Nós já submetemos várias cartas ao Conselho Municipal, mas nunca foram respondidas. Sempre que entramos em contacto com a Direcção da Acção Social, dizem que o nosso processo para o pagamento se encontra no Tribunal Administrativo e que devemos aguardar”, conta o lesado.

 

Aliás, o Conselho Municipal tinha agendado uma reunião com o grupo para as 09:00 horas do passado dia 21 de Abril, porém, a mesma não aconteceu porque simplesmente a equipa do Conselho Municipal de Maputo não se fez ao local.

 

“Carta” contactou o Conselho Municipal da cidade de Maputo, através do Assessor de Imprensa do Presidente do Conselho Municipal, Mussa Mohamed, porém, sem solução. Numa primeira fase, após a exposição do assunto, Mohamed disse: “não sei se essas pessoas deviam ser pagas”, porém, de seguida, garantiu que “vou procurar saber, depois digo algo”. No entanto, até ao fecho desta reportagem, não tivemos qualquer resposta. (Marta Afonso)

Fonte: Carta de Moçambique

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