Mais de 15.800 pessoas foram vítimas de violência nos primeiros nove meses deste ano, segundo o vice-ministro do Género, Criança e Acção Social, Lucas Mangrasse, as mulheres são as maiores vítimas, com o registo de 8.900 casos.

Seguido pelas mulheres, estão as crianças com 4.832 casos e os idosos e pessoas com deficiência com 2.068 casos de violência e para Mangrasse esses dados, que não são “absolutos” mostram a gravidade  da situação da violência contra mulher e rapariga no país.

“Estes dados mostram a necessidade de investirmos na sensibilização de homens e mulheres das várias gerações para a prevenção, denúncia de casos de violência, bem como na assistência e reintegração das vítimas, com envolvimento das instituições, sociedade civil, religiosos e comunidades”, disse Lucas Mangrasse.

É por isso que, para erradicar todo o tipo de violência contra a mulher, que vai desde a  violência doméstica, as uniões prematuras e gravidez precoce, foi lançada esta quinta-feira a campanha “16 dias de activismo, sobre violência contra mulheres e raparigas”.

Segundo Mangrasse, a campanha tem como objectivo reforçar a prevenção e combate à violência através da sensibilização para a resolução de conflitos através do diálogo, a denúncia,  dos casos, capacitação dos vários intervenientes na prevenção, combate e assistência às vítimas de violência.

“A Campanha dos 16 Dias de Activismo, que hoje (quinta-feira) inicia e termina no dia 10 de Dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos, é um movimento internacional que tem por objectivo sensibilizar e mobilizar os indivíduos, famílias, comunidades e Estados ou Governos para a realização de acções concretas de prevenção e combate à violência contra as mulheres e raparigas, cujas consequências são prejudiciais nas suas vidas e na sociedade, em geral.”, disse o vice-ministro que destacou a necessidade de todos contribuírem para erradicar o problema.

O lançamento da campanha foi realizado no distrito de Magude, província de Maputo, que este ano registou 28 casos de violência contra mulheres, contra 50 em 2020.

Segundo o administrador  Lazáro Mbambamba,  esta redução deve-se ao facto de o distrito estar a desenvolver acções como campanhas de sensibilização nas escolas, aos líderes comunitários, mas também por seguir à risca denúncias.

“Temos, também, actividades que são desenvolvidas pelo grupo de referência, encabeçado pela procuradoria distrital, e o gabinete da esposa do administrador, mas o aspecto importante é a denúncia desses casos”, disse Mbambamba.

Mas, é preciso fazer mais, segundo a representante da União Europeia, Alicia Martin Diaz, e um dos avanços é que, para os próximos seis anos, o organismo vai dedicar mais de 85% das acções em actividades que contribuam para a igualdade de género, como também será multiplicado o apoio para a retenção da rapariga na escola, garantia de apoio para independência económica das mulheres e apoio na área de saúde sexual e reprodutiva.

A situação de terror em Cabo Delgado também preocupa, pois, segundo a representante do UNICEF, Maria Luísa Farnara, a situação da mulher agrava-se nessas situações, pois é usada como uma das armas de guerra.

“Mas essa violência pode ser evitada, criando políticas e programas certos, que possam gerar resultado”, declarou Farnara.

A campanha 16  Dias de Activismo tem como lema “Pinte o Mundo de Laranja: Pare  com a Violência Contra as Mulheres e Raparigas”.

Fonte:O País

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