Cerca de 250 mil crianças deslocadas na província de Cabo Delgado, devido aos ataques terroristas, que assolam a província desde Outubro de 2017, estão em risco de contrair doenças mortais, por causa dos efeitos causados pela época chuvosa 2020/2021, de acordo com o alerta emitido pela Agência das Nações Unidas para Infância (UNICEF).

 

Segundo a organização, os serviços de água, higiene e saneamento são insuficientes para responder às necessidades crescentes das crianças e das suas famílias que, actualmente, vivem em centros de acolhimento superlotados e nas comunidades anfitriãs, em particular na cidade de Pemba, capital provincial de Cabo Delgado.

 

“Estes serviços devem ser reforçados e expandidos com urgência para prevenir eventuais surtos de doenças transmissíveis pela água, como as diarreias e a disseminação da Covid-19”, refere a UNICEF, numa nota publicada no seu site.

 

“À medida que a situação na província continua a deteriorar-se, especialmente com o início da época das chuvas, os sistemas de água e saneamento e de saúde estão cada vez mais sob pressão. Os parceiros humanitários no terreno devem reforçar estes serviços para proteger a vida e o bem-estar das crianças da região”, afirmou a Directora Executiva da UNICEF, Henrietta Fore, citada na nota.

 

De acordo com a UNICEF, as necessidades para o financiamento da crise são estimadas em 30 milhões de USD, porém, avança que doenças como a diarreia, que são facilmente evitadas e tratadas, podem ser fatais para crianças deslocadas sem acesso à água potável e saneamento adequado.

 

Dados partilhados pela UNICEF indicam que duas em cada cinco crianças, residentes na província de Cabo Delgado, sofrem de subnutrição crónica e que a detecção de casos de subnutrição aguda severa está a subir entre a população deslocada. (Marta Afonso)

Fonte: Carta de Moçambique

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