PCA da BVM diz ser difícil convencer empresários mesmo com requisitos simplificados

Os pequenos e médios empresários que operam no país ignoram, por completo, a opção de financiamento através da Bolsa de Valores de Moçambique (BVM). Apesar de existir há cerca de 20 anos, a única Bolsa de Valores não tem sequer uma Pequena e Média Empresa (PME) cotada.

Várias razões podem ser apontadas para a não adesão das PME à BVM, entre elas, requisitos de adesão acima das capacidades das empresas, fraca divulgação do valor da bolsa, o medo de se aliar a uma Bolsa de Valores ainda sem grande expressão, falta de organização das próprias empresas – como a falta de contabilidade organizada -, entre outras.

O presidente do Conselho de Administração (PCA) da BVM diz que os requisitos de adesão à bolsa foram simplificados em 2008, mas mesmo assim, continua muito difícil convencer os empresários a aderirem.

De 2008 a 2009, as empresas deviam ter no mínimo 16 milhões de meticais de capital social, dois anos de contas auditadas e publicadas e dispersão de 15% do capital social. Desde 2009, tudo mudou. As empresas são exigidas a ter quatro milhões de meticais, nove meses de contas auditadas e publicadas e 5% de dispersão de capital. Apesar da simplificação, nenhuma PME aderiu e até o número das empresas cotadas baixou para quatro por desistências.

“De 2009 até hoje, não temos ainda nenhuma empresa, Pequena e Média, cotada na Bolsa”, informou Salim Valá.

Para encontrar saídas para o problema, a Bolsa de Valores de Moçambique e o Instituto para a Promoção das Pequenas e Médias Empresas (IPEME) assinaram, ontem, um memorando de entendimento. O objectivo é divulgar as oportunidades de financiamento das PME, através da Bolsa de Valores de Moçambique.

Na ocasião, Salim Valá disse que o IPEME tem a responsabilidade de preparar e convencer as empresas a aderirem à bolsa, que até pode financiar as PME a taxas de juro mais baixas em relação aos bancos comerciais.

O director-geral do IPEME, Cleire Zimba, considera que nada está a falhar na instituição que dirige, apesar de reconhecer a necessidade de ser mais ágil.

“Não diria que está a falhar. Entendo que esta é uma acção que deve ser contínua do ponto de vista de divulgação”, afirmou o director-geral do IPEME.

Logo após a assinatura do memorando, quadros do Instituto para a Promoção de Pequenas e Médias Empresas receberam uma capacitação da BVM, para conseguirem atrair mais pme.

 

 


 

Fonte: O Pais -Economia

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