O nível de rendibilidade do Banco Nacional de Investimento (BNI) tendeu a baixar desde 2017, tendo o lucro mais baixo sido registado em 2019. No ano de 2016, o banco registou um resultado líquido de 354.9 milhões de Meticais, tendo no ano seguinte caído para 187.8 milhões de Meticais. Em 2019, registou o lucro mais baixo ainda, que foi de 64.4 milhões de Meticais.

 

Interpelado sobre as razões, à margem da apresentação, há dias, do Relatório e Contas de 2020, o Presidente do Conselho Executivo (PCE), Tomás Matola, explicou que a redução da rendibilidade se deveu à crise financeira e económica que afectou o mundo e o país, a partir de 2016. Negou associar a baixa rendibilidade com as chamadas dívidas ocultas, que levaram os doadores a congelarem os seus financiamentos ao Orçamento de Estado, uma medida que agravou a crise financeira e económica do país.

 

Todavia, Matola lembrou que, em crise, houve no sistema financeiro nacional um “aumento significativo das taxas de juro, que foram para além de duplicar. Tivemos ainda a deterioração dos principais indicadores macroeconómicos, incluindo a inflação que geraram um ambiente de total incerteza relativamente à nossa economia. Como consequência, as empresas tenderam a contratar menos crédito à banca. Além disso, as empresas começaram a enfrentar dificuldades de pagar a dívida e, nessa altura, o BNI começou a registar um nível de crédito em incumprimento elevado, daí que tínhamos de aumentar provisões e imparidades, o que tem impacto directo nos resultados”.

 

Todavia, em 2020, o BNI apresentou um lucro líquido de 137,51 milhões de Meticais em 2020, correspondente a um crescimento de 113% relativamente ao montante de 64,4 milhões de Meticais registados em 2019. Com base nesse resultado, o PCE do BNI diz: “os nossos fundamentos económicos indicam-nos que, agora que retomamos, a nossa tendência de resultados positivos vai voltar”.

 

Segundo Matola, o desempenho positivo de 2020 foi acompanhado pela consolidação da robustez e saúde financeira do banco, evidenciada pela rendibilidade dos activos, robustez dos fundos próprios, nível de adequação dos fundos próprios e de liquidez.

 

O rácio de solvabilidade do BNI registou 40,43%, acima dos 12% estabelecidos pelo regulador e o rácio de liquidez situou-se nos 54,52%, contra os 25% regulamentares. Há ainda a destacar a redução do rácio de crédito em incumprimento para 2,5%, um nível muito abaixo da média do sector. (Evaristo Chilingue)

Fonte: Carta de Moçambique

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