Depois de terem sido intimados a abandonar os passeios da cidade de Maputo, em Julho do ano passado, vendedores informais voltam paulatinamente a ocupar os passeios de forma massiva sob o olhar impávido e sereno da polícia municipal. No passado, a polícia municipal fez tudo para retirá-los dos passeios, mas parece que foi sol de pouca dura. 

 

A falta de condições no espaço indicado em Laulane, a disputa de bancas nos mercados, algumas das quais erguidas longe das paragens, são algumas das razões apontadas pelo Secretário Executivo do Sector da Economia Informal, Armindo Sumbana, como estando por detrás do recuo dos vendedores informais.

 

Segundo Armindo Sumbana, quando o município retirou os vendedores da baixa da cidade de Maputo, não criou espaços alternativos e alguns tentaram se adaptar abrindo negócios nos locais de residência, e outros optaram pelos mercados, mas sem sucesso, o que precipitou o regresso massivo dos informais aos passeios.

 

“O município enganou os vendedores, arranjou alguns espaços sem sanitários públicos, sem água canalizada, outros sítios sem bancas e as poucas bancas que arranjaram não são suficientes para as 960 pessoas que vendem roupa nos passeios da baixa da cidade de Maputo”, explicou a fonte.

 

Aida Nenane, uma das vendedoras de roupa, referiu que, desde o mês de Novembro, os informais têm estado a exercer a sua actividade em “conluio” com a polícia municipal.

 

“Nós ficamos nos passeios a vender e, quando a polícia aproxima, simulamos uma pequena fuga e, quando eles passam, continuamos a vender normalmente, mas em algum momento temos que pagar por isso”, disse Aida Nenane., César Cossa, vendedor informal ao longo da avenida Guerra Popular, disse que vários colegas já perderam as suas mercadorias durante a perseguição encetada pela polícia municipal, mas não tem outra alternativa, porque é dali que ganha o pão para os seus filhos.

 

Por seu turno, Carlos Langa, outro operador informal, garantiu que não consegue vender os seus produtos em outros lugares na mesma proporção em que consegue na baixa, por isso optou em regressar.

 

“Quando estou aqui consigo vender 1500 a 2000 meticais por dia, enquanto que lá onde estava, por dia só conseguia 100 a 250 meticais e não conseguia pagar as minhas despesas”, afirmou o nosso entrevistado.

 

“Carta” contactou a Polícia Municipal para perceber as razões que levam os informais a regressarem aos passeios mesmo depois de terem sido retirados no ano passado. 

 

Segundo o porta-voz da Polícia Municipal da cidade de Maputo, Mateus Cuna, a ideia não é expulsar os informais, mas sim organizar o sector informal. “Por isso todos os dias, a polícia Municipal vem persuadindo os informais para não ocupar os passeios de forma desordenada”.

 

“Neste momento observa-se uma tendência de retorno dos informais, mas a polícia está no terreno para impedir que voltem a ocupar os passeios. Através de campanhas de sensibilização, orientamos os vendedores a procurar a Vereação do Desenvolvimento da Economia Local para serem enquadrados em locais adequados”, referiu o porta-voz da polícia municipal.

 

E quanto à aplicação de medidas que podem culminar na apreensão de alguns bens, o porta-voz disse que este é o último recurso depois de esgotadas todas as vias de diálogo.

 

Relativamente à apreensão de produtos perecíveis, Cuna disse que o proprietário poderá reclamar junto à polícia municipal ou dirigir-se ao órgão competente depois de três horas. Caso o dono não apareça, os produtos são encaminhados às instituições de caridade.

 

Cuna acrescentou que relativamente aos polícias envolvidos em “esquemas” com os informais, medidas serão tomadas para pôr cobro à situação. (Marta Afonso)

Fonte: Carta de Moçambique

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