O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) aprovou um empréstimo de 40 milhões de dólares à empresa pública Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM). Este financiamento deve apoiar o plano estratégico da firma para o período de 2021 a 2024, que tem como objectivo principal melhorar a infra-estrutura ferroviária no país.

A empresa Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique, EP (CFM) continua atrás de melhorias na sua infra-estrutura. Desta vez, beneficiou-se de uma subvenção do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) no valor de  40 milhões de dólares para aquisição material circulante para a linha ferroviária de Ressano Garcia.

O banco também planeia mobilizar mais 30 milhões de dólares para o projecto junto de outros potenciais credores.

“O objectivo do projecto é permitir aos CFM financiar a compra de material circulante (locomotivas, vagões e contentores-cisterna) para o seu corredor principal, a linha ferroviária de Ressano Garcia, que gera mais de 90% do volume de tráfego ferroviário e representa 70% do total do CFM, [em termos de] volume de transporte ferroviário”, revela o BAD em comunicado.

O projecto, que será implementado ao longo do ano de 2024, foca-se na aquisição do referido material, incluindo 10 locomotivas diesel-eléctricas de 3000/3300 cavalos, 300 vagões e 120 contentores-tanque. Além disso, o financiamento cobrirá um programa de manutenção de três anos para as locomotivas adquiridas e a formação do pessoal de manutenção dos CFM.

A área-alvo deste projecto é o corredor principal dos CFM, uma linha de 88 quilómetros entre o porto de Maputo e a fronteira sul-africana. A implementação deste projecto tem como objectivo melhorar a logística e reduzir os custos de transporte de mercadorias, aproveitando meios de transporte mais eficientes e rentáveis.

Espera-se, segundo os CFM, que o projecto traga uma série de benefícios significativos para Moçambique, incluindo a redução do congestionamento e dos tempos de viagem nas estradas, o que, por sua vez, pode diminuir o número de acidentes rodoviários e aumentar o acesso das comunidades locais aos mercados para comercialização de produtos e serviços.

“O projecto também aumentará significativamente as receitas externas, que crescerão de 225 milhões de dólares em 2022 para 360 milhões de dólares em 2036. Durante este período, espera-se que o projecto traga ao Governo um total acumulado de mil milhões de dólares em receitas fiscais”, afirma o Banco Africano de Desenvolvimento.

Além disso, o projecto deve fortalecer o comércio entre os países africanos e a integração regional.

“Irá reforçar o comércio intra-africano e a integração regional, aumentando a capacidade e o volume de mercadorias transportadas dos países vizinhos pela rota mais eficiente, com Moçambique a servir os seus países vizinhos da África do Sul, eSwatini, Malawi, Zimbabwe e Zâmbia, proporcionando-lhes um porto para a exportação dos seus produtos e importação de mercadorias”, avança o BAD.

Ademais, os CFM revelam que o projecto vai gerar significativas poupanças líquidas de carbono, contribuindo para os esforços de mitigação das mudanças climáticas.

“O projecto alcançará poupanças líquidas de carbono de 744 511 quilotoneladas de CO2 durante o período 2023-2035”, informa a instituição.

Além disso, a empresa prevê um aumento das receitas externas do Governo ao longo dos anos, bem como um impulso no desenvolvimento económico e na criação de empregos.

“As comunidades locais ao longo dos corredores, incluindo as mulheres, terão melhor acesso aos mercados para comercializar os seus bens e serviços. Este projecto representa um passo importante para Moçambique na sua jornada rumo ao fortalecimento da infra-estrutura de transporte e à promoção do desenvolvimento sustentável em todo o país”, informa a empresa.

O Corredor de Maputo, em que se integra a Linha de Ressano Garcia, é utilizado principalmente para a exportação de produtos minerais da cintura mineira do nordeste da África do Sul através do porto de Maputo, que proporciona o acesso mais curto ao porto marítimo.

Fonte:O País

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