Ainda não foi equacionada e muito menos acolhida, pelo Governo, a ideia de se declarar o “Estado de Sítio” na província de Cabo Delgado, que, desde 05 de Outubro de 2017, está a braços com o terrorismo. A garantia foi dada esta quinta-feira, pelo Ministro do Interior, Amade Miquidade, durante uma conferência de imprensa conjunta com o Ministro da Defesa Nacional, Jaime Neto, na sequência dos combates que vêm acontecendo na vila-sede do distrito de Mocímboa da Praia, há mais de uma semana.

 

“Não há e nem estamos próximos de declarar Estado de Sítio”, disse Amade Miquidade, em resposta a uma questão dos jornalistas sobre a possibilidade de se declarar o Estado de Sítio naquele ponto do país.

 

A declaração de Estado de Sítio ou de Guerra, na província de Cabo Delgado, tem sido defendida por diversas personalidades, assim como Organizações da Sociedade Civil e também Não-Governamentais, que consideram necessária para mobilização da ajuda internacional. Um dos defensores da ideia é o Instituto Eleitoral para a Democracia em África (EISA) que, há dias, avançou essa possibilidade, devido ao drama humanitário causado pelos ataques terroristas, que já ceifaram cerca de mil vidas humanas e afectaram mais de 250 mil pessoas.

 

Segundo Miquidade, “estão, neste momento, a desenrolar combates em vários pontos de Mocímboa da Praia, assim como também em outras zonas circunvizinhas”, porém, o cenário não justifica a declaração de Estado de Sítio.

 

Refira-se, a vila-sede distrital de Mocímboa da Praia, que se localiza a menos de 70 quilómetros do distrito de Palma, onde decorre um dos maiores projectos de exploração de gás natural no mundo, está debaixo de fogo, desde quarta-feira da semana passada, 05 de Agosto, tendo resultado na tomada e ocupação do Porto local, assim como na morte de 59 terroristas e 55 membros das Forças de Defesa e Segurança (FDS).

 

“O inimigo infiltrou-se em diversos bairros (a civil) e, beneficiando-se de várias cumplicidades, atacou a vila de dentro para fora, causando destruição, saques e assassinatos de cidadãos indefesos, complementando acções directas e indirectas, com manobras de sabotagem e ataques a meios navais de socorro, a partir do Porto de Mocímboa da Praia”, explicou o Ministro da Defesa Nacional, Jaime Bessa Neto.

 

“Apesar das enormes perdas em homens e material por parte do alegado Estado Islâmico, o inimigo permaneceu na área, denotando ter recebido reforço suplementar em equipamento e homens, provenientes de bases de fora do território nacional”, acrescentou o governante.

 

Este, lembre-se, é o terceiro ataque levado a cabo pelos terroristas àquela sede distrital, este ano, desde Março último. Os ataques já provocaram a destruição de diverso património público e privado, com destaque para o Aeródromo local, edifícios do governo distrital e municipal e o quartel das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM).

 

Entretanto, o titular da pasta da Defesa Nacional garante que nenhuma parte da província de Cabo Delgado está sendo ocupada pelos terroristas. “Neste momento, os terroristas não controlam lugar nenhum. Têm áreas, onde eles se encontram. Combateram em Mocímboa da Praia, a nossa Força resistiu e nós estamos a tomar medidas para inspecionar a área e ver se existe ou não outra gente”, assegurou a fonte.

 

“Neste momento, as FDS procuram controlar a situação, no entanto, continua tensa e poluída, devendo todo o Estado moçambicano se empenhar na normalização da vida das populações, tão fustigadas pelo terror”, acrescentou o Ministro da Defesa Nacional, sublinhando: “o Estado moçambicano ainda continua forte para combater o terrorismo, em Moçambique”.

 

“Neste momento, o apoio que o Estado moçambicano solicitou é a vigilância nas fronteiras para não deixar entrar bandidos no nosso território. No combate, estão moçambicanos e, com muito orgulho, estamos a travar esta luta”, disse Bessa Neto, negando o envolvimento de mercenários nas acções de luta contra os ataques terroristas na província de Cabo Delgado. (A. Maolela)

Fonte: Carta de Moçambique

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