A denúncia foi feita por revendedores destes produtos ao Administrador distrital de Chimoio, Daniel Andicene, que prontamente enviou uma equipa multissectorial que confirmou o facto in loco.

 

De acordo com Celso Jerónimo, revendedor de roupa usada e que recorre àqueles armazéns “muitas vezes, quando vamos ao armazém, dão prioridade aos zimbabueanos (…) às vezes, os preços são diferentes, outros beneficiam de um preço normal, mas para outras pessoas, quando não são conhecidas, pratica-se um preço um pouco elevado, principalmente para nós que levamos uma quantidade menor. Aqueles que levam uma quantidade maior beneficiam de um valor reduzido (…)”.

 

Celso Jerónimo disse: “nós fazemos uma ginástica difícil e, ultimamente, passamos a fazer um câmbio para ter o dólar americano, porque pelo menos quando entras num armazém com o dólar és respeitado em relação a quem entra com o Metical”.

 

Já Marieta Jonasse, outra revendedora de roupa em Chimoio, disse que a situação é bastante preocupante, porque ela depende do negócio para sustentar a sua família, mas muitas vezes é obrigada a voltar para casa simplesmente porque os armazenistas não aceitam o seu dinheiro em Metical, porque só querem o dólar americano.

 

Por seu turno, Matias Saraiva, revendedor de roupa e sapatos, revelou à nossa reportagem: “se você é moçambicano, primeiro perguntam quantos sacos você quer, e se são poucos eles mandam-te voltar, porque eles sabem que há zimbabueanos que vão comprar os fardos (…) como alternativa, tens de pagar refresco para os moçambicanos que atendem lá, uma vez que dependemos deste negócio para sobreviver (…)”.

 

Reagindo às denúncias, o Administrador de Chimoio, Daniel Andicene, disse: “nós como governo do distrito lamentamos o que está a acontecer no Grémio, em frente do Entreposto, essa não é a cultura de Moçambique, é a cultura de alguns especuladores, de alguns oportunistas que neste momento estão a obrigar os moçambicanos bem como estrangeiros a usar o Dólar (…) e tivemos a informação de que são alguns nigerianos e outros de nacionalidade somali”.

 

Andicene reiterou que, em Moçambique, se usa o Metical e não o Dólar, “e aqui no Chimoio não queremos isso e neste momento a equipa multi-sectorial já está a trabalhar, uma vez que fomos alertados pelo nosso povo sobre o que está a acontecer (…)”. (Carta)

Fonte: Carta de Moçambique

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